O engenheiro agrônomo Antônio Junqueira Reis foi chefe da Estação Experimental de Ribeirão Preto, atual Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante 40 anos. Ao mesmo tempo ator e testemunha de momentos históricos da pesquisa agronômica e da vida de Ribeirão Preto, Junqueira Reis completa 95 anos na próxima sexta-feira (3), quando recebe uma homenagem da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP), entidade que ajudou a fundar em 1948.
Junqueira Reis formou-se engenheiro agrônomo na cidade do Rio de Janeiro, na Escola Nacional de Agronomia, em um período de efervescência política, quando o ex-presidente Getulio Vargas ainda governava o país. Viveu alguns anos em Ilhéus, no estado da Bahia, para cuidar de assuntos familiares, até que mudou-se definitivamente para Ribeirão Preto.
Em entrevista concedida em 2008, para o livro “AEAARP 60 anos: histórias e conquistas”, editado pela entidade que ele ajudou a fundar, Junqueira Reis contou que, dentre outras coisas, trabalhou nas pesquisas que definiram novas técnicas de plantio do café, que acabou batizado como “café de cerrado”.
Assim como hoje o Centro de Cana do IAC desenvolve pesquisas que têm revolucionado o plantio da cana-de-açúcar em várias partes do país, naquela época o “café do cerrado” se espalhou, especialmente para os estados de Minas Gerais e Goiás. Antes dele, segundo Junqueira Reis, os agricultores escolhiam o local de suas lavouras seguindo o canto de um pássaro, o Macuco, que se fixava em locais onde a terra era boa.
João Paulo Figueiredo, presidente da AEAARP, observa que a história de Junqueira Reis é um exemplo de como a tecnologia é capaz de solucionar questões em diversas áreas e melhorar a qualidade da produção e também da vida das pessoas. “Certamente o uso correto dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente deve muito ao trabalho de profissionais como ele”.
