O diretor de Engenharia, Celso de Azevedo, esteve no último dia 5, na Alesp representando a AEAARP na homenagem de 89 anos do Crea-SP.
Por meio de uma sessão solene realizada nesta segunda-feira (5), a Alesp, a pedido do deputado estadual Ricardo Madalena (PL), que é engenheiro civil, homenageou o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP). A autarquia - que fiscaliza, orienta e aprimora o exercício e as atividades dessas profissões - completa 89 anos de fundação em solo paulista.
Madalena ilustrou na prática como as digitais dos engenheiros estão presentes na sociedade. O deputado citou, por exemplo, a construção de hospitais em tempo recorde durante a pandemia de Covid-19 e os aparelhos de robóticas usados em procedimentos cirúrgicos. "Tudo na vida passa pela engenharia", resumiu.
O presidente do Conselho paulista, Vinicius Marchese, salientou que "a nossa função é proteger a sociedade". Nesse ponto, o conselheiro frisou os objetivos comuns entre os órgãos. "Não deixe nenhuma discussão da engenharia, da agronomia, das geociências acontecer aqui [na Alesp] sem a nossa participação. Nós queremos contribuir, queremos o melhor para São Paulo", disse Marchese a Madalena.
Depois de defender parcerias institucionais, o presidente da autarquia mostrou estatísticas que colocam o Crea paulista entre os maiores órgãos fiscalizadores do mundo. São mais de 350 mil profissionais (engenheiros, agrônomos, tecnólogos e, recentemente, designers de interiores) e 95 mil empresas registradas, além de 182 unidades de atendimento e 188 entidades de classe. Foram 462 mil ações de fiscalizações em 2022.
A aproximação entre o Conselho e as casas legislativas, acredita Marchese, deve ser enxergada como uma ferramenta de trabalho. "Quando a gente reúne material humano com essa capacidade técnica e tem essa abertura por parte dos deputados, acho que a gente realmente vai conseguir entregar muita coisa bacana para população", sublinhou.
Terminou mais uma campanha solidária do Agasalho AEAARP. Através da Diretoria Social representada pela diretor Rodrigo Araújo, todo material arrecadado da Campanha do Agasalho foi distribuído para a Ong Resolvi Mudar que atende pessoas em situação de vulnerabilidade.
"Neste ano a Diretora Social promoveu uma grande ação interligando a campanha de Vacinação com a do Agasalho, isso fez com que quem viesse na AEAARP trouxesse seu agasalho para doar, isso demonstra mas do que nunca que nossa entidade além de apoiar os profissionais associados tem uma preocupação com a sociedade civil.", disse Fernando Junqueira, vice-presidente.
Sobre a Resolvi Mudar
A entidade atua no resgate da dignidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social, confeccionando e distribuindo mais de 1500 refeições mensais em um local apropriado, com oferta de banho e corte de cabelos e entrega de roupas.
A Resolvi Mudar também dá apoio socioeducativo a crianças, jovens e adultos da Comunidade Vida Nova e da Comunidade da Coca-Cola através de iniciativas que vão desde projetos lúdico pedagógicos sobre os temas do meio-ambiente, da saúde, da diversidade, do civismo e da cultua, até a construção de casas em trabalhos coletivos de cooperação mútua entre a ONG e a Comunidade.
Autoportante e estaiada são os modelos mais utilizados nos 145 mil quilômetros de linhas de transmissão que percorrem o Brasil
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Torres metálicas que sustentam cabos da energia elétrica produzida nas usinas, que normalmente ficam em locais afastados dos grandes centros urbanos e das principais capitais do país, atravessam o país, vencendo obstáculos geográficos, para fazer a energia chegar até o seu destino. As estruturas integram o sistema elétrico, composto pela produção, transmissão e distribuição. A energia é transportada em alta tensão, superior a 100 quilovolts (kV), que, ao se aproximar dos centros de consumo, é reduzida em subestações.

O Brasil tem 145 mil quilômetros de linhas de transmissão administradas por 133 concessionárias, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS).
As torres são concebidas a partir de projetos de engenharia e construídas de maneira modular (em partes), utilizando predominantemente aço. A escolha do material deve-se à facilidade de transporte e agilidade de montagem da estrutura. Normalmente sustentam três conjuntos de cabos de cada lado, acompanhados por um cabo mais alto, no topo, que é o para-raios.
Segundo o engenheiro Renan Moura Guimarães, professor de Engenharia Civil do Centro Universitário Moura Lacerda na área de estruturas, o perfil do elemento em aço geralmente é do tipo cantoneira (peça em forma de L) e a ligação entre os elementos metálicos que compõem a torre pode ser feita com solda ou parafuso, sendo o último mais comum. “A manutenção periódica da pintura e dos parafusos garante que a estrutura dure por mais de 50 anos”, diz.
A altura assegura que os cabos fiquem distantes do solo e evita o contato elétrico com pessoas, vegetação e veículos que eventualmente atravessem a região, já que são construídas muitas vezes em locais com obstáculos, como vales, rios e montanhas. A estrutura também deve suportar os cabos em qualquer condição de vento e temperatura.
Estaiada x autoportante
Os modelos mais comuns são a estaiada e a autoportante. Segundo o engenheiro elétrico Halley Jose Braga da Silva, coordenador de Viabilidade de Obras de Linha de Transmissão e Subestação da CPFL Energia, o que as caracteriza são a classe de tensão da linha de transmissão e a carga mecânica à qual a torre é submetida. “As torres estaiadas, por exemplo, têm estrutura forte e leve, projetada para suportar alta carga de equipamentos, além de intempéries como ventos extremos”, explica.


Em relação à estrutura, o engenheiro Renan explica que a torre estaiada é feita com mastro treliçado, quando a estabilidade lateral é garantida por meio de estais (cabos) ligados em diversos níveis da torre. Segundo ele, são estruturas mais econômicas, porém necessitam de grande área para a fixação dos estais.

As torres autoportantes são estruturas treliçadas com base alargada em formato de pirâmide e que não precisam do auxílio de estais, suportando-se de forma independente. O treliçado das torres autoportantes pode ser criado de diversas maneiras e a estrutura pode ser subdivida em perna, extensão e corpo básico. “As torres autoportantes necessitam de menor área de instalação, porém são mais caras do que as estaiadas. Elas podem atingir até 120 metros de altura”, argumenta.
As torres autoportantes são utilizadas em terreno mais acidentados devido à sua forma compacta. As estaiadas fixam-se em terrenos com relevos mais suaves, com espaço suficiente para ancorar os estais.
Projeto para instalação
O projeto de uma linha de transmissão busca otimizar os aspectos fundiários, ambientais e técnicos, explica Halley. “Os fundiários levam em consideração a quantidade de proprietários de terras impactados pelo trajeto da linha; os ambientais focam na mitigação de impactos em áreas de preservação permanente, mananciais, sítios arqueológicos, terras indígenas etc.; e os técnicos avaliam a viabilidade de instalação de estruturas em determinados locais”, diz.
O tipo de fundação onde as torres serão instaladas depende diretamente do tipo de solo. “Uma das características principais das estruturas metálicas é a baixa carga na fundação em relação aos outros sistemas construtivos, gerando fundações mais econômicas”, informa Renan.
A fundação pode ser em bloco com estacas ou sapatas rasas, dependendo dos resultados dos ensaios de sondagem de solo. As torres possuem a peculiaridade de não necessitarem de barras de arranque, comuns em pilares de concreto. “A ancoragem na fundação em concreto é feita através de um perfil metálico chamado stub [uma haste dentro do bloco de concreto]”, detalha o engenheiro.
Ainda segundo Renan, como as torres são muito altas, é fundamental que no projeto seja feita a análise dinâmica de vibração para evitar altas deformações na torre quando a estrutura for submetida à ação do vento.
Existem alguns limitadores para a instalação de torres. De acordo com o engenheiro Vinicius dos Santos Lima, da EDS Engenharia, empresa especializada em projetos de linhas de transmissão, é preciso observar a largura da faixa de servidão onde as torres serão instaladas para evitar que o balanço dos cabos se aproxime dos limites de faixa. O relevo do terreno deve obedecer às distâncias de segurança previstas em norma, as limitações das capacidades mecânicas dos cabos condutores e das torres, uma vez que quanto maior a distância entre torres, maior será a carga de tensionamento nos cabos instalados”, detalha.
O engenheiro Eduardo Karabolad Filho, também da EDS Engenharia, salienta que o plantio de algumas culturas próximas às torres não é indicado por causar riscos ao produtor ou até mesmo para a linha de transmissão. “A cana-de-açúcar, por exemplo, não deve ser plantada próxima as torres devido ao risco de fogo no local. Também há restrições para árvores frutíferas com altura acima de 3 metros e árvores de grande porte, como eucaliptos, pinheiros, araucária, porque podem causar aproximação dos cabos energizados”.
Todos os projetos de linhas de transmissão são regulamentados pela ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica) e a implantação deve seguir normas técnicas. As principais são: a NBR 8800:2008 – Projeto de Estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto; NBR 6120:1980 – Cargas para cálculo de estruturas de edificações; NBR 6123:1982 – Ação do vento em edificações e Procedimento (SDT-240-410-600, 1997) – Telebrás.

Entenda sobre direitos autorais e acervo técnico e operacional
Em tempos de inovação e empreendedorismo tão presentes é importante saber quais ferramentas colaboram para o desenvolvimento seguro da área tecnológica. A propriedade intelectual, sempre discutida quando se trata de temas relacionados à produção cultural, por exemplo, é uma realidade também nas Engenharias, Agronomia e Geociências.
A proteção e formação do patrimônio intelectual, moral e econômico dos registrados no Crea-SP é parte dos direitos autorais desses profissionais, garantidos pela Lei 9.610/1998, que estabelece o vínculo de autores com suas obras intelectuais, tais como projetos, esboços e demais formas de expressão.
“O profissional pode registrar os produtos de sua propriedade intelectual junto ao Crea-SP, é só apresentar a respectiva documentação ao solicitar o registro”, explica Auro de Moraes, chefe da Equipe de Atendimento aos Profissionais, Empresas e Instituições de Ensino do Crea-SP (EAPEIE). O serviço segue a Resolução 1.029/2010 do Confea, que estabelece as normas para registro de estudos, anteprojetos, projetos, esboços, obras plásticas e outras formas de expressão e representação visual de todas as profissões da área tecnológica.
Essa segurança da propriedade intelectual vai além, salvaguardando os profissionais, inclusive, quando há violação de seus direitos por alteração de projetos e obras sem que haja conhecimento do autor. E da própria cópia indevida de seus trabalhos, considerado como crime de plágio ou usurpação de direitos autorais.
Acervo técnico e acervo operacional
Outra forma de registro do trabalho da área tecnológica está no acervo técnico, quando para profissionais, ou no acervo operacional, no caso das empresas. Isso porque a nova Resolução 1.137/2023 do Confea descreve as Anotações de Responsabilidade Técnicas (ARTs) como parte do acervo de pessoas físicas e jurídicas registradas no Sistema Confea/Crea.
A ART, que serve para definir a atividade técnica e o responsável pela mesma, além de formalizar os limites da atuação desempenhada em obras e serviços, gera o histórico profissional que pode ser comprovado pela Certidão de Acervo Técnico (CAT). Para solicitar a CAT, é necessário apenas que as atividades desenvolvidas já estejam devidamente registradas em ART junto ao Conselho. “A CAT transcreve o que está na ART, e pode ser emitida com ou sem um Registro de Atestado. Essa determinação varia de acordo com a obra ou serviço em execução, sendo, então, dois tipos de certidão”, orienta Moraes, alertando para que a solicitação seja sempre protocolizada com antecedência.
A CAT garante ainda o direito de participação em processos licitatórios. “Sem isso, a empresa, ou profissional como pessoa jurídica, não consegue participar, deixando de concorrer aos contratos e podendo perder oportunidades de prestar serviços que, geralmente, envolvem valores altos”, conclui o chefe da área de atendimento.
O requerimento de CAT é feito via CreaNet. Basta acessar e realizar login para encontrar as opções do serviço no menu de Solicitações. O que vale tanto para a CAT com Registro de Atestado quanto para a CAT sem Registro de Atestado.
Saiba mais sobre como preencher o formulário de solicitação da certidão na Carta de Serviços do Confea.
Fonte CREASP
O Brasil, que sediará o G20 em 2024, tem a maior parcela de eletricidade limpa do fórum das maiores economias avançadas e emergentes. Em 2022, o Brasil gerou 89% de sua eletricidade a partir de fontes limpas, o que inclui 63% de energia hidrelétrica, 12% de energia eólica e 3% de energia solar. Os combustíveis fósseis foram responsáveis por 11% da geração do Brasil no ano passado, a maior parte de gás (7%). Os dados são da quarta edição anual da Global Electricity Review, informa o Portal Solar. Os dados indicam que, nos países do G20, as energias eólica e solar atingiram participação combinada de 13% da eletricidade em 2022, em comparação com 5% em 2015.
Profissionais podem consultar normas via CreaNet e capacitação mais acessível
Pensando em oferecer cada vez mais informação aos profissionais da área tecnológica e otimizar sua rotina de trabalho, o Crea-SP agora disponibiliza o conteúdo on-line das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O benefício é resultado de um convênio firmado entre as instituições, que visa facilitar o acesso à capacitação e contribuir para o aperfeiçoamento profissional. O acesso às normas técnicas é feito pelo CreaNet, após o profissional formalizar uma solicitação. As consultas pelo sistema são exclusivas para os registrados no Crea-SP, sendo assim, os profissionais precisam estar em dia com o Conselho para garantir o acesso.
Para consultar as normas da ABNT, o profissional deverá protocolar a solicitação, acessando o CreaNet na seguinte ordem: Fazer login com usuário e senha > Solicitações> Solicitação de Norma Técnica> Selecionar a norma > Itens de declaração> Termos de aceite > Salvar. Em seguida, o sistema apresenta o status da solicitação, as normas que indicarem como deferidas, o profissional poderá fazer o download do arquivo. Já aquelas que não apresentarem como disponíveis, o profissional deverá solicitar a norma técnica.
Além do remoto ao catálogo de normas técnicas, a parceria garante descontos de até 50% nos cursos on-line da ABNT aos profissionais do Crea-SP. “A atualização constante se tornou um diferencial em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Temos atuado para dar as condições necessárias aos profissionais para que continuem estudando e buscando qualificação”, enfatiza o presidente do Crea-SP, Eng. Vinicius Marchese.
Os cursos disponíveis no momento – com metade do valor para os profissionais registrados – são voltados para os temas de Eletricidade e Construção. Para conferir a programação completa e mais informações sobre os benefícios, acesse o site da parceria.
Fonte CREASP
Treinamento contou com consultoria técnica da jornalista Eleonora PaschoalImprimir conteúdo
Oferecer todo o conhecimento produzido nos colegiados do Crea-SP à sociedade, em especial aos estudantes de cursos da área tecnológica, é uma das principais missões da Comissão de Relações Públicas – CRP, que, entre outros pontos, planeja e executa campanhas de esclarecimento, com palestras sobre legislação profissional e as ações do Conselho em instituições de ensino e entidades de classe.
Para tanto, anualmente a Comissão realiza um treinamento de palestrantes e reúne os conselheiros interessados em colocar sua expertise a serviço do Conselho nesse trabalho de aproximação com o público.

Este ano, o treinamento ganhou um reforço de peso, com a presença da jornalista Eleonora Paschoal, com passagem em grandes veículos de comunicação, como a Rede Globo, que trouxe importantes (e valiosas) dicas com o objetivo de aprimorar a técnica dos palestrantes para as apresentações. Segundo a jornalista, autoconhecimento e preparo são ingredientes fundamentais para uma explanação de sucesso.

Diretor de Valorização Profissional Geol. Fernando Augusto Saraiva interagiu com a fonoaudióloga Gabriela Damilano
Na ocasião, a jornalista esteve acompanhada da fonoaudióloga Gabriela Damilano, que ensinou técnicas para controle vocal e deu dicas de preparação para falar em público.
“Tive a oportunidade de passar por este treinamento e, como autoridades que todos somos em determinados assuntos, conversar com uma profissional desse gabarito pode fazer bastante diferença. São pequenos ajustes que, aliados à nossa capacidade, podem ajudar muito na construção de reputação do Conselho,” enfatizou o presidente do Crea-SP, Eng. Vinicius Marchese.

“Este é um presente do Crea-SP para todos nós conselheiros, pois pela primeira vez estamos trazendo uma profissional que vai nos oferecer uma consultoria técnica, o que torna esta experiência diferenciada”, ressaltou o coordenador da Comissão, Eng. Mec. Luiz Augusto Moretti.
Produzido pela Superintendência de Relações Institucionais e Comunicação do Crea-SP
Reportagem: Jornalista Perácio de Melo – SUPRICOM
Colaboração: Estagiários Marcos Santos e Miguel Rinaldi
No centro da cidade, três casarões construídos no início do século passado são exemplos de preservação, investimento e persistência.
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Dois ícones da arquitetura cafeeira do interior paulista estão, finalmente, em obras. A intervenção na Biblioteca Altino Arantes é inovadora e arrojada e, grande surpresa para o público, o Palacete Camilo de Mattos também será restaurado. As duas iniciativas são do setor privado.
“Ainda temos muitos bens históricos abandonados no quadrilátero central, como o Hotel Brasil, as ruínas do Palacete Albino de Camargo, que também devem receber atenção especial. Se a cidade é feia e abandonada, ela é motivo de tristeza aos olhos das pessoas que caminham pelo centro”, observa o arquiteto Cláudio Bauso.
Casarões e palacetes construídos no início do século XX na região central de Ribeirão Preto representam o período em que a cidade foi uma das maiores produtoras de café do Brasil. Os imóveis caracterizam a formação de uma cidade associada ao complexo cafeeiro, dos pontos de vista político e econômico. As construções invariavelmente demonstravam a riqueza e o poder daquele período histórico.
As mudanças culturais e econômicas do final do Século XX provocaram a verticalização do centro. Muitas das construções do período áureo do café deram lugar a edifícios residenciais e comerciais. Alguns casarões resistem, protegidos pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac). “Preservar esses bens significa ter uma memória registrada não só do modo de edificar como também do modo de viver e residir no período do café”, explica a historiadora Lilian Rosa.
Na arquitetura, completa a historiadora Sandra Regina Firmino Abdala, ficam registrados erros e acertos do passado e do presente. “Como sociedade, nos apropriamos desses conhecimentos, sem os quais fica difícil construirmos um futuro melhor para nós mesmos”, argumenta Sandra, que atua na Divisão de Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto.
Segundo a professora de história Nainôra Maria Barbosa de Freitas, docente do Centro Universitário Barão de Mauá, a preservação dos bens culturais depende de políticas públicas aplicadas em educação permanentemente com o objetivo de trabalhar com a identidade e a memória de uma comunidade. “Tarefa de uma vida inteira, aliando educação, cultura, bem como todos os aspectos de uma sociedade que se esforça para garantir às gerações seguintes a preservação da história e da memória. Acredito em parcerias entre poder público e privado junto com o esforço da sociedade civil”.
Segundo ela, quando a memória não é respeitada, a identidade e o exercício da cidadania são deixados de lado e as referências, que permitem ligar o passado com o futuro, são esquecidas.
“Uma cidade precisa destas referências culturais para avançar construindo cidadania atuante, em que o cidadão seja partícip partícipe e não apenas um mero espectador, usuário da cidade onde mora, ou trabalha”, defende.
O patrimônio cultural é um dos principais agentes para salvaguardar a identidade original de uma comunidade.
Sandra Regina Firmino Abdala – historiadora
Quando nos referimos ao patrimônio olhamos o passado mas, a referência são as escolhas que queremos deixar para as gerações seguintes, ou seja, para o futuro.
Nainôra Maria Barbosa de Freitas, professora de história
Biblioteca Altino Arantes

“Presente para a comunidade e resgate do centro de Ribeirão Preto”. É assim que Wagner Chiodi, diretor administrativo da Fundação Educandário Coronel Quito Junqueira, define a restauração da Biblioteca Altino Arantes. A Fundação é mantenedora do local.
O imponente casarão, localizado na Rua Duque de Caxias, na região central de Ribeirão Preto foi projetado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, um dos mais importantes arquitetos brasileiros no início do século passado. O prédio foi construído em 1932 para ser residência de Francisco Maximiano Junqueira, o coronel Quito Junqueira, pecuarista, cafeicultor e empresário, e Theolina Zemilla de Andrade Junqueira, conhecida como Sinhá Junqueira.


Quito Junqueira faleceu em 1938. O casal não tinha herdeiros o que inspirou sua viúva, Sinhá Junqueira, a criar em 1952 a fundação que leva o seu nome com o intuito de que seu patrimônio fosse usado para manter as obras filantrópicas às quais se dedicou durante toda a vida. Ela faleceu em 1954 e no seu testamento deixou expresso o desejo de que a sua residência se tornasse uma biblioteca pública. No ano seguinte, 1955, foi inaugurada a Altino Arantes.
O prédio é tombado pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão estadual dedicado à preservação. Em 2014, a Fundação Educandário assumiu a Biblioteca com o objetivo de recuperar o prédio e o acervo. “Havia vitrais quebrados, trincas nas paredes e alguns livros estavam desmanchando”, explica Wagner.
A obra de restauração e ampliação da biblioteca começou em 27 de janeiro de 2019 e deve ser concluída até o final deste ano. Com investimento de R$ 11 milhões, proveniente exclusivamente da Fundação Coronel Quito Junqueira, o projeto do escritório Pitá Arquitetura, de São Paulo (SP), prevê a restauração integral do prédio, realizada por um especialista em restauro, e a construção de um anexo, com arquitetura horizontalizada e minimalista. A área total passará de 600 m² para 1.490 m².
Segundo Wagner, nenhuma parede será alterada. Serão modificadas apenas as funções dos espaços internos. O local contará com sala de leitura, acervo físico e digital, anfiteatro, biblioteca, café e elevador para acesso de deficientes. “Será uma estrutura moderna, com tecnologia para atrair o público”, diz Wagner.
A edificação foi construída atendendo padrões estéticos e funcionais da época da concepção do projeto (década de 1920), adequado às famílias de alto poder aquisitivo. É farta em ornamentos, por dentro e por fora. A instalação da biblioteca exigiu alterações, preservando sua essência.
Segundo Maria Luiza Dutra, responsável pelo projeto de restauração, a maior dificuldade diz respeito às instalações elétricas, de prevenção e combate a incêndios, proteção patrimonial, ar-condicionado e acessibilidade. Esses itens têm de compatibilizar as normas atuais à preservação de pisos, forros e paredes decoradas.
“A maior parte das paredes das áreas sociais do térreo da antiga residência, assim como as dos halls do pavimento superior, tiveram suas pinturas decorativas preservadas, embora em condições não muito boas. Veja, não se trata de afrescos, mas de pinturas feitas à máscara com desenhos repetitivos. Todas as pinturas visíveis estão sendo mantidas. As que receberam pintura lisa e foram encobertas em tempos idos terão apenas um trecho à mostra, como testemunho de sua existência”, detalha Maria Luiza.


Um dos cuidados do projeto de ampliação foi o de garantir que o novo espaço tivesse altura inferior ao da casa projetada por Ramos de Azevedo. “O protagonista da obra é o prédio histórico”, reconhece o arquiteto Fábio de Bem, do escritório Pitá Arquitetura. O projeto também deu ênfase aos espaços internos e externos. “Até o mobiliário foi pensado para a valorização do todo e principalmente da história”, detalha Fábio.

Palacete Camilo de Mattos

Dezoito meses depois de toda a burocracia tramitar na prefeitura e nos órgãos de preservação do patrimônio, o Palacete Camilo de Mattos, também na Rua de Duque de Caxias, deverá renascer. O prédio foi adquirido em 2017 pelos empresários Ricardo Cesar Massaro e Marcos da Cunha Mattos – que não é descendente do ilustre morador original da casa, apesar da coincidência nos sobrenomes.
Joaquim Camilo de Moraes Mattos, que foi vereador e prefeito de Ribeirão Preto, além da intensa atividade empresarial e política no interior paulista, viveu naquela casa, um endereço privilegiado da elite cafeeira.
Os 1.100 m² do local têm 600 m² de área construída, com 19 cômodos, oito na parte superior e 11 no térreo, além de uma varanda. Nos fundos há uma casa de caseiro. “O palacete será restaurado como unidade unifamiliar, sem outra finalidade de uso, e seguindo sua originalidade”, explica o arquiteto e urbanista Claudio Bauso, responsável pela execução do projeto.

O objetivo dos empresários é dar nova utilização para o prédio e atrair pessoas para centro da cidade. Enquanto a obra não começa, a dificuldade é preservar o imóvel de invasões e depredações. “Temos frequentes ocorrências de pessoas que entram para furtar, dormir ou usufruir do local. Começamos a fazer o monitoramento por câmera para tentar evitar as invasões”, diz Ricardo.
Em junho deste ano, o Palacete foi aberto à visitação durante a Feira Nacional do Livro. “A população teve a oportunidade de conhecer um de seus patrimônios históricos, mostrando a função cultural e social do edifício”, ressalta Claudio. Para ele, o tombamento atribuiu ao imóvel valores artísticos, arquitetônicos e paisagísticos. “Ele participa da paisagem da cidade, portanto também tem uma tendência turística”, argumenta. Estão previstas visitas monitoradas ao Palacete durante a reforma.

A arquitetura do prédio é Art Déco, de origem francesa e eclética, com pinturas de afrescos (técnica de pintura em paredes) em estêncil (aplicação de tinta sobre um molde vazado). No seu interior foram utilizados materiais nobres, como mármore de Carrara e Peroba-rosa nas portas, janelas, caixilhos.
Segundo Claudio, a construção do Camilo de Mattos coincide com o período em que os casarões no centro eram projetados por grandes nomes da arquitetura. Neles, a arte do interior, sempre ricamente adornado, normalmente era executada por italianos, imigrantes que vieram para Ribeirão Preto para trabalhar no cafezal. Sem vocação para a lavoura, fixaram-se na cidade trabalhando como músicos, pintores, artistas de uma forma geral. “Os italianos deixaram um legado, uma contribuição muito grande na arquitetura e na arte das elites do período cafeeiro”, diz.
Claudio explica que o Palacete retrata as relações sociais, políticas, econômicas, trabalhistas e culturais de um período próspero. “Vemos uma relação trabalhista e social em espaços da casa para prestação de serviço interno que naquele momento eram importantes. Isso está na moradia, na forma de construção, como a disposição da casa do caseiro ao fundo e o quarto do casal à frente da casa, onde era possível manter o domínio dos movimentos da residência”, explica.
A Casa da Memória Italiana

Com quase 100 anos de existência, a Casa da Memória Italiana, localizada na Rua Tibiriçá, no centro de Ribeirão Preto, é exemplo de preservação. O acervo composto pela estrutura arquitetônica, decorativa e mobiliária é original da década de 1920. “Piso, lustres, arandelas, pinturas artísticas das salas e quartos, vitrais e mobiliário são da época da construção”, conta Maria Augusta Scatena Lopes, neta de Pedro Biagi, o segundo e derradeiro proprietário do imóvel.
Maria Augusta morou na casa por muitos anos e hoje coordena o programa de zeladoria e segurança do Museu Casa da Memória Italiana. Para ela, a utilização da casa por famílias que viveram em épocas tão diferentes, sem a necessidade de adequação, só foi possível devido aos cuidados dos moradores.
A Casa foi projetada em 1923, pelo arquiteto Arnaldo Maia Lello a pedido de Joaquina Evarista Meirelles, fazendeira de café. A edificação foi denominada na planta como Bungalow, estilo de casa americana com influências do Art and Craft, movimento estético inglês que defende o artesanato criativo. Parte de sua ornamentação externa é considerada com estilo neocolonial simplificado, que surgiu em São Paulo no início do século XX.
Em 1941, a residência foi comprada pelo casal de imigrantes italianos Pedro Biagi e Eugenia Viel Biagi. A casa foi habitada por seus familiares até 2012. Em 2014, o imóvel foi doado ao Instituto Casa da Memória Italiana, criado com o intuito de documentar e preservar a história da imigração italiana.
O espaço mantém diversas ações educativas e culturais gratuitas. São realizadas palestras, contações de histórias, música e oficinas para família, exibição de filmes, exposições de arte e um concerto de final de ano apresentado no jardim da fachada da edificação.
“Todas as ações tem o objetivo de agregar a comunidade ao espaço histórico, promovendo experiências que fomentem o sentido do pertencimento ao Museu Casa da Memória Italiana como um lugar de memória da cidade e da sua própria vida”, destaca Alice Registro Fonseca, gestora executiva Casa da Memória Italiana.
Desafio da engenharia
Uma capela de 1920 foi erguida e sob ela será construído um complexo de entretenimento e lazer

Uma antiga capela tombada pelo tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) ficou no meio do caminho de um ousado projeto na capital paulista. A solução foi erguê-la, usando a ciência que transforma e que também preserva: a engenharia.
A edificação, projetada pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi e construída em 1922, foi suspensa a 31 metros do chão sobre uma plataforma de concreto e sustentada por pilares. A construção do complexo Cidade Matarazzo, projeto que compreende um hotel de luxo que será entregue em 2020 em São Paulo (SP), e integra a capela a um complexo hoteleiro, a Rosewood Hotels and Resorts.
Oito pilares de 54 metros de profundidade foram concretados sob o a edificação, que tem 1.600 toneladas. O terreno foi inteiramente removido para criar o vão necessário para oito andares de subsolo. A escavação das colunas foi feita com uma perfuratriz de baixa percussão e depois, com processos de hidrojateamento (utilização de jato de água de alta pressão), a terra sob o edifício foi cuidadosamente removida. O espaço abaixo da igreja será ocupado por um cinema, bicicletário, área de desembarque de passageiros e estacionamento.
Profissionais de Engenharia e Arquitetura falam sobre a preferência brasileira pela alvenaria convencional em contraponto à diversificação dos processos construtivos mundo afora
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Alvenaria convencional, estrutural, paredes de concreto, paredes de EPS e wood, steel frame ou light steel frames combinados a uma gama variada de materiais de vedação, como placas cimentícias, drywall, OSB, entre outros [veja Glossário]. São muitos e variados os tipos de sistemas e subsistemas de construção utilizados em obras mundo afora [leia ‘Definições sobre sistemas construtivos’ nesta reportagem], mas no Brasil prevalece a utilização de menos da metade deles, com vantagem disparada para a alvenaria.
De acordo com o engenheiro civil e professor universitário André Zanferdini, a escolha majoritária por construções de blocos e tijolos no país tem a ver com a não-necessidade de mão de obra especializada, relação custo-benefício e disponibilidade de materiais [a grande oferta resultando em preços mais competitivos em relação aos dos materiais alternativos], mas também com a “falta de iniciativa, de planejamento, cultura vernacular e tradição fincadas no sistema construtivo existente desde o Brasil colonial”.
Vale lembrar que, no contexto acadêmico da arquitetura e engenharia, o termo vernacular refere-se a processos construtivos mais “raiz”, nas palavras do arquiteto e também professor universitário Flávio Cesar Mirabelli Marchesoni, pois possuem uma forte influência da cultura local, apoiando-se em técnicas e no uso de materiais da região em que a obra está inserida. “São vistos como rústicos sob um olhar mais desavisado, mas na realidade são altamente sofisticados por serem o que melhor podem responder às condicionantes do clima, da disponibilidade de recursos e com enorme eficiência energética passiva (o que entendemos por resposta bioclimática)”, ensina Flávio.
Como o barro sempre foi abundante e de fácil extração em todo o mundo e mais ainda em um país continental como o Brasil, o tijolo de cerâmica passou a ser utilizado por aqui desde os primórdios da ocupação europeia, por volta do século 16 [leia mais em ‘Origem dos Tijolos’], o que confirma a “cultura vernacular e a tradição fincadas desde o Brasil colonial”.
Já a falta de iniciativa e planejamento para quebrar paradigmas sobre materiais alternativos são privilégios das últimas gerações mesmo, e seria reforçada pela desconfiança popular, na opinião do também engenheiro e professor universitário Ricardo Gomes. “É uma questão até bem engraçada. Tem pessoas que, quando vão comprar uma casa, uma das primeiras coisas que fazem é dar uns murros na parede para ver se é sólida. E quando você tem uma parede em gesso acartonado, você bate e sente que é oco, né? Mas isso não significa que não seja uma parede resistente. Esses materiais são muito testados contra impactos pela indústria antes de serem colocados como alternativas de vedação. Se você está decidido a abrir um buraco nelas, até vai conseguir, mas precisará bater muitas vezes com marreta, ou seja, será tão difícil de furar quanto uma parede de bloco cerâmico”, comenta.
De acordo com Ricardo, a resistência a materiais alternativos nem sempre sai barata. “A gente tem uma série de problemas no Brasil que vêm justamente dessa tradição, desse gosto mais arraigado por coisas mais artesanais e tudo o mais”, diz, citando como exemplo casos em que é utilizado fechamento de alvenaria para steel frame. “A alvenaria não é a melhor opção para estrutura de aço mais pesada. São materiais que trabalham de maneiras muito diferentes. Pegando só a questão da temperatura, esses materiais se dilatam de formas diferentes. Temos uma série de patologias de construção associadas a isso, como trincas e fissuras”, afirma. Segundo o engenheiro, já há um consenso em utilizar placas cimentícias do lado externo e, para o lado interno, placas de gesso acartonado ou OSB.

Processos construtivos
Para o arquiteto Flávio, entre as quatro formas existentes de se construir algo – entre as quais se inclui a vernacular, já citada –, a alvenaria convencional pertence à categoria mais ordinária ou comum, que ele considera não muito eficaz por muitas vezes envolver grandes desperdícios de material, de trabalho, resultando em baixa eficiência energética, sem muita consciência do que efetivamente se está fazendo. “É o caso clássico de se fazer toda uma parede de alvenaria e depois se rasgar ela toda para instalar tubulações e eletrodutos, deixando para traz remendos que exigirão argamassar tudo para esconder as cicatrizes”, exemplifica.
Segundo ele, a terceira forma é o processo racionalizado, que pode ter vários níveis: desde o mais óbvio, de se planejar algumas etapas para já receber as posteriores sem que haja um retrabalho, até o que já atinge o quarto nível, representado pelos processos industrializados. Neste, a racionalidade seria tão ampla que se passa a não mais construir no sentido clássico do termo, mas a “montar” a edificação usando componentes previamente prontos, bastando apenas uni-los no canteiro de obras. “É só procurar no youtube por ‘edifícios com a construção mais rápida do mundo’ para ver exemplos, como edificações de hotéis de 30 pavimentos que são construídos em 30 dias e entram em funcionamento. Dessa maneira, nos dois extremos, quer no processo construtivo vernacular, quer no industrializado, há grande desempenho”, afirma o arquiteto.
Definições sobre sistema construtivo
No âmbito da construção civil, o “sistema construtivo” de uma obra caracteriza-se por
um conjunto integrado de subsistemas: estrutural, de vedação, elétrico e hidráulico,
entre outros, que são projetados e executados de acordo com normas técnicas préestabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Tais normas estabelecem requisitos para os materiais, bem como para os procedimentos
de execução dos serviços de cada subsistema e, em especial, o atendimento aos
requisitos dos usuários do edifício quanto a seu comportamento em uso, isto é, seu
desempenho.
Esta reportagem aborda subsistemas de vedação — tecnicamente falando Sistema de
Vedação Vertical Interna e Externa (SVVIE), assim denominado na “ABNT NBR 15575-
4 Edificações habitacionais - Desempenho Parte 4: Sistemas de vedações verticais
internas e externas” —, definidas como partes da edificação habitacional que limitam
verticalmente a edificação e seus ambientes, como fachadas e as paredes ou divisórias
internas. Elas podem ser com ou sem função estrutural, comumente designadas como
alvenaria de vedação (convencional) e alvenaria estrutural, respectivamente.
O estrutural suporta cargas além do seu peso próprio, isto é, de laje, de pavimentos
superiores e/ou da cobertura. Como exemplos temos os sistemas construtivos citados
em alvenaria estrutural (armada ou não), o Wood Frame (estrutura de madeira) e o
Light Steel Frame (estrutura de aço leve).
Quanto ao subsistema de vedação, que suportam somente o próprio peso, ou seja,
servem só para vedar, separar e adequar ambientes, os sistemas construtivos podem
ser, entre outros, os citados em alvenaria de blocos e Drywall (gesso acartonado).
De uma maneira generalizada, tem-se três tipos de sistemas construtivos: o
tradicional, o racionalizado e o industrializado, que se diferenciam em relação
aos materiais, técnicas e tecnologia de execução, desempenho, prazos de execução,
custo, qualidade, uniformidade, entre outros aspectos.
FONTE: André Zanferdini, professor da faculdade de Engenharia Civil do Moura Lacerda
De acordo com Flávio, mundialmente, há hoje uma maneira genérica de se edificar que está mais intimamente vinculada à complexidade de industrialização dos componentes utilizados na construção que cada país tem do que baseada nas suas raízes culturais locais. “Países mais industrializados têm como tendência usar sistemas estruturais desvinculados dos seus fechamentos, constituídos muitas vezes com painéis, relegando a alvenaria a um segundo plano, pois esta exige um consumo de materiais maior, mão de obra maior, mais tempo de execução... cada vez mais incompatível com qualquer lugar desenvolvido no mundo”, diz, numa crítica implícita à alvenaria convencional.
Também na opinião do engenheiro André Zanferdini a construção civil brasileira poderia muito bem se beneficiar de sistemas alternativos numa escala maior que a de hoje, incluindo elementos pré-moldados e light steel frame “em tudo o que se referir à construção industrializada”. No que compete aos poderes constituídos, os governos poderiam, segundo ele, contratar projetos, na forma de concurso, que contemplem outros sistemas e materiais. “Quanto à iniciativa privada, a questão é determinada pelo projetista de arquitetura e/ou de engenharia, a quem cabe a definição dos sistemas e a especificação dos materiais, muito embora, em alguns casos, o mesmo terá de exercer seu poder de convencimento junto ao cliente ou proprietário. E em ambos os casos, qualquer iniciativa deve ser realizada por quem tenha o domínio tecnológico sobre esses sistemas e materiais alternativos”, conclui.
Mas Zanferdini alerta que, tendo em vista a existência de uma “interdependência entre alguns subsistemas da construção, a viabilidade técnica e econômica para a escolha de um sistema construtivo alternativo ou inovador torna-se complexa”. Por isso exige uma análise completa, considerando custo, estanqueidade, desempenho térmico, desempenho acústico, durabilidade, impacto ambiental, etc, e envolvendo todos os subsistemas da obra em referência. “Se não for assim, um sistema construtivo alternativo ou inovador pode proporcionar uma redução de custo em determinado subsistema e encarecer muito mais em outros. Por fim – e muito importante! – não se deve esquecer a análise da percepção dos moradores sobre o uso dos sistemas construtivos inovadores”, declara.
Parâmetros de escolha
Na prática, atualmente quatro critérios principais norteiam a escolha de qual sistema será usado numa obra, de acordo com Ricardo Gomes: custo, tempo de execução, função da obra e – mais recentemente – sustentabilidade.
O custo é afetado pela relação de oferta e procura dos materiais no mercado. Por exemplo, no Brasil, a preferência pela alvenaria torna a produção de blocos e tijolos de cerâmica economicamente atraente, levando muitas pessoas a investir no negócio. “Com muita oferta, os preços desses materiais ficam muito mais competitivos que os dos materiais mais alternativos com pouca procura no país”, pontua Ricardo.
O tempo é o de duração da obra, que pode afetar ou ser afetado pela escolha do sistema construtivo. Para exemplificar como o uso dos materiais para a vedação pode afetar o tempo de obra, Ricardo compara o de construção de uma casa padrão em alvenaria com cerca de 150 m², no Brasil de hoje, com a do famoso edifício de mais de 100 andares, Empire State Building (Nova York - EUA), em 1930, que utilizou estruturas de aço e placas cimentícias: pouco mais de um ano em ambos os casos.
E para ilustrar como o tempo pode influenciar o custo, o engenheiro cita a obra de um edifício de 57 andares, na China, cuja evolução foi filmada em time lapse e o vídeo postado na plataforma Youtube. Tudo o que foi utilizado de estrutura no edifício – estruturas metálicas, placas de vedação e até a laje seca – foi fabricado antes em uma indústria, já com as tubulações de ar-condicionado, esgoto, água e eletricidade embutidas com precisão milimétrica. No canteiro de obras, tudo foi encaixado, parafusado, soldado e rebitado. Feitas as ligações e dados os toques finais nos acabamentos, o edifício todo ficou pronto em apenas 19 dias.
Para Ricardo, o custo de fabricação das estruturas, vedações e outros materiais do edifício chinês pode ter ficado muito mais alto que o de um equivalente em alvenaria, que levaria muitas vezes esse tempo de duração, mas o custo da mão de obra, paga em horas de trabalho, deve ter resultado bem menor.
O engenheiro usa a mesma obra como exemplo de outro parâmetro citado como norteador das escolhas de sistemas construtivos: sustentabilidade. “Em um edifício no qual todas as estruturas chegam praticamente prontas para serem encaixadas eu não vou ter resíduos, porque a fábrica já terá feito tudo da maneira mais eficiente, desperdiçando o mínimo possível de material. O canteiro resulta limpo e organizado”, comenta.
A sustentabilidade, aliás, é o grande ponto a favor dos sistemas chamados “secos”, que eliminam a necessidade de misturas de cimento, areia e outros materiais com água nos canteiros de obras, caso dos wood e steel frames e dos blocos de gesso ligados com gesso-cola, por exemplo.
Por fim, o parâmetro “função” (define se a obra servirá para abrigar residência, alguma atividade, comercial, industrial ou de prestação de serviços, entre outras) pode influenciar a escolha do sistema por diferentes motivos. Por exemplo, se uma pessoa física não reúne condições financeiras de comprar todo o material da obra no mínimo tempo requerido, pode fazê-lo aos poucos, conforme o avanço da obra em alvenaria, que deverá seguir lenta. Já se uma pessoa jurídica tem pressa em erguer o edifício que abrigará sua atividade econômica, pode preferir o combo estrutura/vedações pré-moldadas. No Brasil, por motivos já elencados, esses sistemas podem sair mais caros que os de um edifício equivalente em alvenaria, mesmo considerando gastos menores com tempo de mão de obra, mas em outros países isso não acontece.
Escolhas pelo mundo
Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos os subsistemas de construção a prevalecerem nas unidades menor do que no caso de casas construídas com paredes mais leves e flexíveis?”, provoca Ricardo.
Sobre a origem dos tijolos
Observar a modificação de consistência do barro, que endurecia sob altas temperaturas,
levou à descoberta da cerâmica pelas antigas civilizações. Inicialmente, as cidades
foram construídas com tijolos de argila crua secos ao sol e, posteriormente,
queimados em fornos, o que transformava a terra crua em material cerâmico.
Os vestígios mais antigos da utilização de cerâmica em abrigos humanos datam de
7500 a.C, no Oriente Médio. A História conta que o tijolo de cerâmica é utilizado
desde 4.000 a.C. Por séculos as civilizações utilizaram o material para erguer
edifícios resistentes à temperatura e à umidade.
Depois que a Revolução Industrial trouxe a produção de blocos cerâmicos em grande
escala, o uso dos tijolos passou a ser aplicado na Europa e em todo o mundo. No
Brasil, é utilizado desde os primórdios de sua ocupação europeia, por volta do século
16, tendo sido Salvador e Recife as principais cidades a utilizarem o material.
Entretanto, o material cerâmico tornou-se essencial no país a partir de 1850,
revelando-se como elemento principal no sistema construtivo brasileiro, especialmente
nas últimas décadas do século 19 e no início do século 20. Naquele período, porém,
dividiu as funções estruturais com a pedra, fato notável em diversas construções
remanescentes no país.
Até hoje a cerâmica é um dos materiais mais usados na construção civil mundo afora.
FONTE: https://princesa.ind.br/tijolos-de-ceramica-tradicao-e-historia-na-construcao-civil/
Por isso é que, segundo ele, é comum se encontrar esse tipo de vedação em outros países sujeitos a abalos sísmicos, como o Japão, que tem também uma frequência grande de terremotos, como até o Chile, em plena América do Sul. “No Japão eles têm um apelo muito forte para as construções que utilizam wood frame, mas com técnicas diversas das dos Estados Unidos. Então pode ser uma estrutura de madeira com fechamentos bem diferentes, como películas que são quase um papel transparente, que às vezes vemos em filmes”, comenta o engenheiro.
Na China e por todo o continente asiático não prevalece, como no Brasil, preferência por um ou outro sistema, de acordo com Ricardo. Aliás, em nenhum outro país do mundo, ao menos não na proporção da que ocorre no Brasil na preferência pela alvenaria convencional. “Hoje em dia não se pode dizer que em um continente está sendo mais utilizado um ou outro sistema construtivo, principalmente quando se trata de Europa, porque existe uma diversidade de países com uma gama absurda de sistemas diferentes. Em termos de mundo, a gente tem até casas sendo impressas em impressoras 3D”, afirma.
Ainda falando em Europa, um continente repleto de patrimônios turísticos e culturais seculares, Ricardo lembra que em determinadas regiões, até por questões de preservação, seria um contrassenso usar wood e steel frames. Nesses casos, normalmente os sistemas construtivos seguem a tradição vernacular.
Glossário
EPS (Expanded PolyStyrene): sigla internacional do Poliestireno Expandido, polímero [veja matéria a respeito nesta edição] mais conhecido no Brasil pela marca “Isopor”;
Wood frame: ‘travessas de madeira’ em tradução livre, denomina sistema de construção constituído por perfis de madeira que, em conjunto com placas de diferentes materiais, formam paineis estruturais capazes de resistir às cargas verticais (telhados e pavimentos) e perpendiculares (ventos);
Steel Frame: ‘travessas de aço’, em inglês, denomina sistema construtivo a seco feito com perfis de aço galvanizado. Seu fechamento é realizado com placas de diversos materiais, dispensando o uso de tijolos, cimento e concreto;
Light steel frame: steel frame com liga metálica mais leve;
Drywall: em inglês ‘parede seca’, denomina placas de gesso acartonado, que costumam revestir estruturas de wood, steel ou light steel frames.
OSB (Oriented Strand Board): o significado da sigla, em inglês, é ‘painel de tiras de madeira orientada’, em tradução livre. O composto de raspas e tiras de madeira de reflorestamento organizadas na mesma direção e ligadas com resina resulta em placas resistentes, estáveis e versáteis para uso na construção civil;
Espuma expansiva de poliuretano (PU): material selante e adesivo que preenche espaços e possui ótima aderência em madeiras, alvenarias, metais, plásticos, sendo especialmente indicado para fixação de batentes, portas, janelas, entre outras superfícies, mas também pode ser usada como preenchimento de vedações em construções que demandam grande isolamento térmico e/ou acústico.
Crea-SP divulga balanço do primeiro trimestre de 2023
Em sua missão de garantir o exercício legal da profissão na área tecnológica, o Crea-SP já cumpriu o total de mais de 90 mil ações de fiscalização, apenas no período de janeiro até março deste ano. O balanço trimestral do Conselho é referente às atividades nos 645 municípios do Estado que visam verificar a presença de profissionais habilitados para zelar pela segurança da sociedade nos trabalhos desenvolvidos pelas Engenharias, Agronomia e Geociências.

Para este ano, a meta do Conselho é realizar 600 mil operações, o que segundo o presidente, Eng. Vinicius Marchese, não será difícil alcançar, devido aos números já constatados no primeiro trimestre. “O balanço referente ao início deste ano, mostra o desempenho e a dedicação dos agentes fiscais e de todo o corpo da fiscalização do Crea-SP, e o quanto estamos engajados no mesmo objetivo, que é promover cada vez mais ações em prol da segurança dos profissionais e da população”, analisou.
De 2015 a 2022, as fiscalizações do Conselho aumentaram cerca de 1.600%. Ano passado, o Crea-SP bateu recorde histórico, totalizando mais de 462 mil ações realizadas em todo o Estado.
Deste total de 90 mil, foram registradas 42.141 ações de fiscalização na Engenharia Civil, e na Engenharia Elétrica, 17.671. Em seguida, a Engenharia Mecânica e Metalúrgica soma 13.709 ações, à frente da Engenharia da Segurança do Trabalho, com 7.885, e a Engenharia Química, que contabilizou 2.979. Além disso, foram 3.911 fiscalizações em Agronomia, 1.748 em Agrimensura, e 1.714 em Geologia e Minas. Destas, 731 tiveram foco em proteção ambiental.

“Melhoramos e inovamos as condições de trabalho dos agentes fiscais, com uso de mais tecnologia, como é o caso do aplicativo, o FiscalizApp, que otimiza a atuação em campo. Seguimos reforçando as forças-tarefas nos municípios e as parcerias com outros órgãos e instituições públicas. Com isso, acreditamos que chegaremos à meta estipulada para 2023, de 600 mil ações de fiscalização”, concluiu a superintendente de Fiscalização do Conselho, Eng. Maria Edith dos Santos.
Produzido pela CDI Comunicação