Atualmente, 1 a cada 3 profissionais de engenharia, agronomia e geociências habilitados no Sistema Confea/CREA são mulheres. Já dos 240 mil profissionais de arquitetura e urbanismo registrados no CAU, 64% são mulheres. “Há uma mudança geracional em andamento. Mais mulheres optam por carreiras da área tecnológica que antes eram identificadas como exclusivamente masculinas”, observa Fernando Junqueira, presidente da AEAARP-Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto.
A engenheira Fabíola Narciso é diretora do grupo AEAARP Mulher, criado nos últimos anos para incentivar a participação no associativismo e debater questões do mercado. “O número de mulheres associadas cresce com consistência. O nosso propósito é participar de todos os temas abordados aqui, colocando em prática o que defendemos como valorização de nossa atuação no mercado”.
Conheça 3 mulheres associadas à AEAARP.
Maria Mercedes Furegato Pedreira de Freitas é das mulheres que, em razão da intimidade com a área de exatas, optou por cursar a faculdade de Engenharia na segunda metade dos anos 1970. “Éramos em 20 mulheres em duas turmas, muito menos do que homens”, lembra. Ela foi a primeira mulher a trabalhar como engenheira na Companhia Antarctica, em Ribeirão Preto. “Entrei como civil e depois comecei com segurança do trabalho, que foi a área com a qual trabalhei por toda minha carreira”, conta. Atualmente é conselheira do CREA-SP-Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo, na Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho. De acordo com o CONFEA-Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, o país tem cerca de 1,1 milhão de profissionais registrados no Sistema e 20% são mulheres.
Mercedes concluiu a faculdade em 1981, um pouco antes de Gisela Mazzer também concluir sua graduação em Arquitetura e Urbanismo, o que aconteceu em 1983. Gisela conta que se interessou por arquitetura ainda na adolescência, inspirada pelo projeto e Ijair Cunha e Cássio Pinheiro Gonçalves para a sede do clube Recreativa, na Avenida 9 de Julho. Os dois são precursores da arquitetura modernista em Ribeirão Preto, movimento que inspirou a carreira de Gisela. Nos primeiros anos depois da graduação, ela lembra que os grandes nomes da arquitetura eram homens. Lina Bo Bardi, falecida em 1992, era uma das únicas mulheres reconhecidas profissionalmente no setor – ela projetou, dentre outros, o MASP-Museu de Arte de São Paulo.
Gisela lembra que no início conviveu com desconfianças dos clientes que atendia. “Como jovem arquiteta eu era vista como inexperiente, assim como existe o etarismo também hoje, quando já tenho mais de 40 anos de profissão, muitos projetos realizados e continuo estudando e trabalhando”, conta, apontando o etarismo como um desafio que, hoje, supera o gênero. “Até o ano 2000, a mulher era desvalorizada. Hoje não”, garante. Gisela trabalha principalmente na área de arquitetura hospitalar e garante que não pretende se aposentar.
Engenheira florestal formada pela ESALQ (USP) com mestrado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Genebra, Suíça, Marina Gavaldão tem 43 anos e vive em Marselha, França, desde 2011. Foi lá que ela fundou o Instituto Ubá de Sustentabilidade, uma empresa social que hoje tem sede em Ribeirão Preto e atua em três continentes, desenvolvendo 15 diferentes programas, todos eles comprometidos com a proteção e a recuperação de ecossistemas, sempre atrelados ao desenvolvimento social e econômico.
Um deles é o Programa Ana Primavesi, desenvolvido em todo o estado de São Paulo e iniciado há cerca de três anos aqui na região de Ribeirão Preto. Neste curto período, o programa já plantou mais de 200 mil árvores nativas de Cerrado e Mata Atlântica. O equivalente a mais de 200 hectares de áreas de preservação ambiental recuperadas em propriedades rurais paulistas. “Tudo isso é feito quase sem custo para o proprietário rural, já que o programa é custeado pela venda de crédito de carbono”, conta Marina. “Já intermediamos a venda de mais de oito milhões de toneladas de CO2, sem contar os demais benefícios”, finaliza a diretora executiva da Ubá, que além de engenheira florestal é poliglota, artista visual e autora de músicas como ‘Sedução Vegetal’, disponível no Spotify.
