Campanha Civilidade nas ruas
banner seja associado
ART

PROJETO E MANEJO DA VINHAÇA

Area de interesse: agronomia
Data:
PROJETO E MANEJO DA VINHAÇA

Por Sérgio Antônio Veronez de Sousa.

Eng. Agrônomo. Dr. Irrigação e Drenagem

A vinhaça, conhecida também como vinhoto ou restilo, é um subproduto da fabricação do álcool produzida, em média, na proporção de 13 litros para cada litro de álcool fabricado.

Este valor pode variar entre 10 a 15 litros, de acordo com as condições agrícolas sob as quais a cana foi produzida, fatores industriais no seu processamento e na obtenção do álcool.

A vinhaça contém alto teor de matéria orgânica e potássio, sendo relativamente pobre em nitrogênio, cálcio, fósforo e magnésio. Várias são as citações bibliográficas sobre a composição química da vinhaça. Sua característica química depende de sua origem.

A porcentagem da área de fertirrigação das usinas é bastante variável, tanto em escala regional, como dentro de uma mesma região. Existem usinas que já vêm aplicando vinhaça em 70% da sua área de cultivo, por outro lado pode-se encontrar também usinas com áreas de fertirrigação bem abaixo deste valor.

Pode-se considerar também que, de maneira geral, a cada safra o valor de área de fertirrigação das usinas aumenta, mostrando a preocupação das usinas com o uso racional da vinhaça, buscando maior rendimento agrícola e redução no uso de fertilizantes químicos, bem como uma adequação de dose de vinhaça que não cause prejuízo ao meio ambiente.

Com o passar do tempo, estudos conduzidos pela COPERSUCAR e outros órgãos de pesquisa, levaram à utilização mais racional da vinhaça na lavoura de cana-de-açúcar, com dosagens controladas, trazendo benefícios econômicos na substituição de parte ou total da adubação mineral, melhorando as características físicos, químicas e biológicas do solo, aumentando a produtividade agrícola e sem dúvida eliminando o problema imediato de poluição do meio-ambiente.

Os métodos de transporte e aplicação sofreram continuas evoluções. Na década de 80 prevalecia a aplicação por caminhões-tanque com descarregamento por gravidade (caminhão tanque convencional).

Atualmente, o sistema de aspersão com equipamentos auto-propelidos, alimentados por canais, tubulações móveis de alumínio, ou caminhões de grande porte (rodotrens), são os principais métodos de aplicação utilizados. Figuras 1, 2 e 3)

Figura 1. Sistema de Irrigação do Tipo Autopropelido Alimentado por Canais.

Figura 2. Sistema de Irrigação do Tipo Autopropelido Alimentado por Tubos Móveis de Alumínio.

Figura 3. Sistema de Irrigação do Tipo Autopropelido Alimentado por Caminhões.

O sistema autopropelido com carretel enrolador é o mais difundido atualmente nas usinas e destilarias, sendo o mesmo introduzido com o objetivo de substituir a extensão da montagem direta de aspersão. A vantagem principal do sistema é ser semimecanizado e, portanto, requer menos mão-de-obra que a montagem direta.

O que difere no uso do autopropelido é a forma com que a vinhaça vai chegar até o mesmo. Existem basicamente duas maneiras: o sistema dutoviário e o transporte por caminhões.

Na maioria dos casos, o sistema mais econômico para o transporte da vinhaça, misturada ou não, às águas residuárias, é a implantação de uma linha de dutos; ou seja, tubulações fixas e móveis que podem ser pressurizadas ou por gravidade. Este sistema depende, no entanto, de alguns fatores, como áreas contínuas de lavouras de cana-de-açúcar e condições topográficas favoráveis.

Em outras situações, como a descontinuidade de canaviais, pode ser mais indicado o transporte por caminhão.

O retorno dos investimentos, no caso da implantação de um destes sistemas, para a condução da vinhaça, pode ser de 3 a 8 anos, dependendo diretamente do custo do adubo químico mineral e dos ganhos em termos de aumento de produtividade e longevidade dos canaviais, quando se compara uma área de adubação tradicional com uma área de aplicação de vinhaça.

Vários estudos de caso que fizemos, mostraram que a adoção de sistemas com tubos móveis ao invés de canais, foi mais vantajoso do ponto de vista econômico, apresentando também vantagem ambiental, pela inexistência de canais abertos para condução da vinhaça.

Os projetos novos que trabalhamos, foram desenvolvidos sem canais abertos; ou seja, um sistema totalmente tubulado para a condução da vinhaça. Neste caso, atende-se a legislação, com ganhos ambientais e econômicos.

Recentemente muitas Usinas estão fazendo a aplicação da vinhaça localizada, também chamada vinhaça em linha. Trata-se da aplicação dirigida da vinhaça, na linha da cana, com doses reduzidas, o que viabiliza o transporte da mesma a distâncias maiores, quando utilizam caminhões.

Neste caso é necessário ter um teor de K2O elevado, o que pode ser obtido pela mistura de adubo quando a vinhaça e naturalmente pobre.

De modo geral, pode-se afirmar que a vinhaça não provoca efeitos negativos no solo, exceto com aplicações de doses elevadas. O uso racional da vinhaça, de acordo com recomendações técnicas, gera benefícios ambientais, financeiros e agronômicos.

A vinhaça melhora o condicionamento da subsuperfície do solo e proporciona ganhos de pelo menos cinco toneladas de cana por hectare em relação ao potássio proveniente de adubo químico mineral. “Trabalhos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam um aumento de até doze toneladas”, a fertirrigação também é benéfica para a longevidade do canavial, que pode chegar a oito cortes.

Para a adoção de qual tecnologia será usada no transporte e posterior aplicação da vinhaça, é necessário fazer um estudo prévio de viabilidade técnica e comparando os diferentes tipos de transporte da vinhaça; ou seja, dutoviário, caminhões com vinhaça em natura e caminhões com vinhaça enriquecida, e após esta análise, decidir qual o melhor caminho a seguir para determinado projeto.

Em resumo pode-se dizer que não existe uma regra específica a ser seguida na escolha do melhor método de transporte e aplicação da vinhaça. Cada usina ou destilaria tem sua situação particular e deve ser analisada de forma a obter o melhor benefício ambiental e econômico na distribuição e aplicação da vinhaça, sempre fazendo o uso racional deste importante subproduto do processo de fabricação do etanol.

A melhor maneira de obter sucesso no uso da vinhaça, e através da elaboração de um Plano Diretor, o qual vai mostrar o que deve ser feito na implantação, ampliação e otimização do sistema de fertirrigação das Usinas e Destilarias, seguindo todas as normas ambientais e sempre buscando o retorno econômico da aplicação.

Sérgio Antônio Veronez de Sousa.

Eng. Agrônomo. Dr. Irrigação e Drenagem

Volta para notícias
receba as novidades
agenda aeaarp
Veja a agenda completa
revista painel

317 - Agosto 2021

317 - Agosto 2021

Veja outras edições da revista Painel



CONFEA
CREA-SP
CAU/SP
AEAARP
Rua João Penteado, 2237
Ribeirão Preto - SP
Tel.: 16 2102-1700
Whatsapp: 16 99758-0101
AEAARP

MAPA DE LOCALIZAÇÃO

MAPA DE LOCALIZAÇÃO

2021 - Todos os direitos reservdos. Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto
site by: an.design criação digital