Diante desse desafio ambiental crescente, a Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) lança oficialmente, no dia 19 de maio, a campanha Civilidade nas Ruas E-lixo, em parceria com a empresa 56X Tecnologia e Sustentabilidade. A sede da entidade já instalou coletores para recebimento de resíduos eletroeletrônicos de pequeno porte.
“A parceria representa um avanço importante na conscientização da população. A expectativa é de crescimento consistente na coleta nos próximos meses, impulsionado pelo impacto educativo da campanha”, afirma o presidente da AEAARP, Fernando Junqueira. Segundo ele, a experiência da campanha Civilidade nas Ruas demonstra que a conscientização sobre um resíduo específico acaba ampliando o descarte correto de outros materiais recicláveis. “É um círculo virtuoso”, resume.
O novo ecoponto já demonstra resultado prático antes mesmo do lançamento oficial da campanha. Instalados há cerca de um mês, os coletores instalados na AEAARP já arrecadaram mais de meia tonelada de sucata eletrônica.
São duas caçambas, sendo uma exclusiva para celulares e equipamentos com baterias de íons de lítio, que oferecem risco de incêndio e explosão quando descartados incorretamente.
“O material coletado pela 56X é encaminhado inicialmente para São Paulo e, posteriormente, exportado para países com plantas industriais capazes de recuperar metais com alta eficiência, como Bélgica, Alemanha e Suíça”, explica José Geraldo Borges Filho, da 56X Tecnologia e Sustentabilidade, empresa que atualmente já realiza a coleta de cerca de 30 toneladas mensais de e-lixo em Ribeirão Preto.
Além da contaminação ambiental, o descarte inadequado de resíduos eletrônicos provoca desperdício de materiais valiosos como ouro, prata, cobre e outros metais nobres presentes nos equipamentos.
Segundo o vice-presidente da AEAARP, José Walter Figueiredo Silva, a legislação brasileira já prevê responsabilidade compartilhada entre fabricantes, comércio e consumidores, mas ainda falta ampliar a conscientização da população. “O cuidado com as cidades começa dentro de casa, na separação correta dos resíduos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos é avançada, mas depende de educação ambiental para funcionar plenamente”, destaca.
A engenheira agrônoma Liliane Bonadio Terra, diretora adjunta de Meio Ambiente da AEAARP, destaca que o enfrentamento do problema depende diretamente de educação ambiental contínua.
Crescimento acelerado do e-lixo no mundo
O problema cresce em velocidade alarmante. Dados do relatório Global E-Waste Monitor mostram que o planeta produziu 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022. A previsão é que esse volume chegue a 82 milhões de toneladas até 2030 — um crescimento cinco vezes mais rápido do que a capacidade global de reciclagem.
Grande parte desses resíduos contém substâncias altamente tóxicas:
• Chumbo, presente em placas e soldas eletrônicas, associado a danos neurológicos;
• Mercúrio, encontrado em equipamentos antigos, ligado a alterações neurológicas graves;
• Cádmio, comum em baterias e dispositivos portáteis, substância cancerígena e tóxica para rins e ossos.
O ecoponto AEAARP receberá:
• Computadores e notebooks
• Celulares
• Servidores
• Monitores e TVs
• Eletroeletrônicos
• Toda linha de informática e TI
• Telefonia e comunicação
O ecoponto não receberá:
• Pilhas
• Baterias
• Lâmpadas fluorescentes
• Toners
• Cartuchos
• Eletrodomésticos grandes
Criada em 2019, a campanha Civilidade nas Ruas já contribuiu para ampliar a destinação correta de diversos materiais recicláveis em Ribeirão Preto, fortalecendo ações de logística reversa e sustentabilidade urbana.
Como contrapartida ambiental e social, o volume de e-lixo arrecadado pela comunidade será convertido em cadeiras de rodas, que serão doadas para entidades assistenciais da cidade