
Os espaços em que vivemos devem ser cuidadosamente pensados para ajudar no nosso bem-estar e também na recuperação de pacientes
Em um momento como esse, de uma grave crise epidemiológica, a pergunta que não sai da mente de arquitetos e designers é: como podemos colaborar com a criação de espaços interiores mais saudáveis e seguros?
Afinal, é papel fundamental da arquitetura atender às demandas da sociedade e criar soluções em forma de espaços para o bem-estar geral.
Já especificamente na arquitetura hospitalar, o ambiente de qualidade é uma das principais ferramentas na promoção da saúde e prevenção de doenças, tendo papel fundamental na recuperação do paciente. Um ambiente de cura é o princípio base de todo projeto ligado à saúde.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ambiente construído é responsável por 19% dos fatores que afetam a saúde e o bem-estar.
Essa relação ficou ainda mais clara na pandemia do coronavírus, que evidenciou a necessidade de transformações profundas em vários aspectos do dia a dia.
E é importante lembrar que essa não é a primeira nem será a última crise sanitária mundial. Portanto, a maior atenção com os espaços será um tema presente por muito tempo, senão para sempre.
Olhando para um futuro não tão distante, precisamos, então, pensar em como criar ambientes funcionais e confortáveis. Em resumo, devemos trabalhar sempre com a consciência de que nós, arquitetos, também somos responsáveis pela saúde de todos através da construção de edifícios saudáveis.
Essa preocupação vai desde o desenho de plantas baixas mais abertas, visando edifícios naturalmente ventilados, com circulação e purificação do ar, até à especificação cuidadosa de materiais que ajudam a mitigar a propagação de doenças.
A pandemia gerou um aumento no interesse em usar, por exemplo, materiais antimicrobianos (nos quais as bactérias não aderem), tornando mais abrangente sua aplicação em projetos de design de interiores – não necessariamente apenas em ambientes de saúde.
Devido à maior preocupação com a higienização dos ambientes e a busca por minimizar os riscos de contágio entre pessoas que utilizam o mesmo espaço, aumentou ainda a preferência por superfícies lisas, materiais laváveis e assépticos.
Já o uso de estofados, carpetes e cortinas – famosos por acumularem pó e bactérias – foi repensado em projetos de interiores.
O chamado design biofílico, um grande aliado em promover bem-estar, também tem ganhado destaque. Ele prevê incorporar espaços verdes nos projetos, algo que promove sentimentos positivos, culminando em uma resposta melhor dos pacientes ao tratamento. Ora, é da natureza humana querer estar conectado com o verde.
Pensando nisso, ainda vale alinhar aberturas estratégicas de vãos e posicionar janelas que possam ser abertas, possibilitando a reciclagem e a melhor qualidade do ar interno.
A iluminação é outro fator que impacta diretamente no humor, atuando no equilíbrio psicológico do usuário ou paciente. A escolha por temperaturas mais quentes –com o auxílio da cor amarela – promove a humanização do ambiente, criando uma sensação de aconchego.
Atualmente, existem diversas luminárias que até ajudam a matar bactérias e purificam superfícies.
E a tecnologia de iluminação não para de avançar. Dá para dizer que se trata de uma ferramenta terapêutica indispensável. Um exemplo é o uso da luz ultravioleta incorporada a chuveiros e torneiras, que ajuda a melhorar o sistema imunológico.
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Também veremos, logo mais, a tentativa de eliminar a maioria de superfícies de alto toque, isso que já é realidade em hospitais há décadas. Falo de soluções como: sensores de presença, torneiras e vasos sanitários com acionamento por sensor, além de iluminação e portas automatizadas.
O que tiramos de aprendizado com essa experiência é a oportunidade de ver e sentir como a arquitetura, e o ambiente que nos cerca, influencia na qualidade de vida de todos.
E nós, arquitetos, somos indiretamente responsáveis pela saúde dos edifícios. Devemos pensar com maior cuidado em todos os aspectos projetuais, criando espaços mais humanos para uma melhor experiência do usuário.
Os ambientes precisam inspirar sentimentos bons e uma sensação de paz e relaxamento. Afinal, o que todos querem é se sentir em casa em qualquer lugar.
*Rafaella Ferraz é arquiteta especialista em ambientes para saúde, pós-graduanda em arquitetura hospitalar pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Até o dia 20 de janeiro, está aberta a consulta pública para o Projeto de Residência Técnica em Arquitetura e Urbanismo do CAU/SP. Os arquitetos e urbanistas interessados podem consultar o texto base por meio deste link, e enviar por aqui suas contribuições.
A proposição de uma linha de fomento para Residência Técnica (RT) em Arquitetura e Urbanismo é um projeto estratégico do CAU/SP, que visa a incentivar a formação continuada, a qualificação profissional e a atuação do arquiteto e urbanista no setor público, de modo a reforçar o reconhecimento da Arquitetura e Urbanismo como política de Estado e ampliar o acesso da sociedade à Arquitetura e Urbanismo.
Esta proposta foi um dos assuntos desenvolvidos no seminário “Desafios para a Arquitetura Paulista: Diálogos sobre o Ensino e Formação em Arquitetura e Urbanismo”, realizado nos dias 07 e 09/12/21, em uma iniciativa do Colegiado das Entidades Estaduais de Arquitetos e Urbanistas (CEAU-CAU/SP), da Comissão de Ensino e Formação (CEF), da Comissão do Exercício Profissional (CEP), e que teve a contribuição de diversas comissões especiais do CAU/SP.
Paisagem cultural como instrumento de gestão
Na Mesa Cidades, Patrimônios e Paisagens, o arquiteto e urbanista Flávio Carsalade (UFMG) destacou a necessidade de se utilizar o conceito de paisagem cultural como instrumento de gestão do patrimônio no Brasil, levando-se em conta sua função social no que diz respeito aos conteúdos imateriais e às apropriações e vivências urbanas.
A arquiteta e urbanista Mônica Schlee (UFRJ) abordou a gestão de políticas públicas urbanas a partir da articulação intersetorial entre patrimônio, paisagem, meio ambiente e ordenamento territorial na formulação e revisão do Plano Diretor do Rio de Janeiro, na qual se chama atenção para a retirada do trecho que considerava como patrimônio paisagístico tanto as paisagens com atributos excepcionais como as paisagens decorrentes das manifestações e expressões populares. E a arquiteta e urbanista Aline de Figueirôa Silva (UFBA) apresentou os espaços públicos no Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e Urbanístico do Centro Histórico de Salvador.
As arquitetas e urbanistas Luciana Schenk (ABAP), Mônica Viana (CPUAT-CAU/SP) e Vanessa Bello (CPC-CAU/SP) destacaram a transversalidade do seminário, além de projetos específicos desenvolvidos pelo CAU/SP como I Ciclo de Debates sobre a política urbana e ambiental à luz dos Estatutos da Cidade e do Estatuto da Metrópole da CPUAT-CAU/SP e o edital PAT-Cultural – Assistência Técnica do Patrimônio Cultural.
Desenvolvimento profissional, BIM e formação continuada
Na Mesa Desenvolvimento e Atuação Profissional, a arquiteta e urbanista Maria Jo Steck (AsBEA-SP) tratou dos honorários e do escopo de serviços dos profissionais e sua relação com a aplicação do BIM como ferramenta facilitadora para a elaboração do projeto e interface com o cliente.
A arquiteta e urbanista Liana Perez (SASP) destacou ações do Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo frente ao ensino e formação, capacitação e promoção de cursos de aperfeiçoamento profissional.
O arquiteto e urbanista Gil Barros (FAUUSP) abordou a importância da formação continuada e da reflexão acerca das atribuições profissionais e responsabilidades técnicas junto ao CAU.
Os arquitetos e urbanistas Adriana Levisky (AsBEA-SP), Fernanda Querido (CEP-CAU/SP), Maurílio Chiaretti (SASP) e Fabrizio Rastelli (AsBEA-SP) trataram dos desafios futuros do desenvolvimento e atuação profissional, frente a questões de ética profissional; diversidade de gênero, geracional e racial; desigualdade social; e inovação tecnológica.
Residência em Arquitetura e Urbanismo
Na Mesa Residência em Arquitetura e Urbanismo foram apresentadas as experiências do: Curso de Especialização Lato Sensu em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade da Universidade Federal da Bahia (Residência AU+E/UFBA); do Curso de Especialização e Residência Técnica em Projetos e Obras Públicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (RESTEC POP – UEPG); e do Programa de Residência em Arquitetura e Urbanismo – Planejamento e Gestão Urbana promovido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura Municipal de São Paulo (SMDU-PMSP).
A arquiteta e urbanista Heliana Faria Mettig Rocha (AU+E/UFBA) destacou a importância do tripé estruturado por gestão pública, universidade, e sociedade, com o objetivo de ampliar e aperfeiçoar a atuação dos profissionais de AU (autônomos, ONGs, escritórios públicos), e equipes jurídicas no campo da assistência e assessoria técnica de modo a atuar na inclusão social e aplicação de recursos públicos na promoção de melhor qualidade da habitabilidade e fortalecimento da cidadania.
Os engenheiros civis Gabriela Mazureki Bahniuk e Carlos Emmanuel Lautenschläger (RESTEC POP – UEPG) enfatizaram a construção da Residência por meio termo de cooperação entre a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e o Governo do Estado do Paraná, embasado pela Lei nº 20.086/2019. E as representantes da Residência FAUUSP + SMDU, arquitetas e urbanistas Maria Lucia Refinetti Martins (FAUUSP) e Carolina Heldt D’Almeida (Escola da Cidade, CAU/SP) trataram da importância da articulação entre módulos acadêmicos e práticos para a formação continuada dos profissionais e também para a sensibilização dos setores públicos em relação ao papel de arquitetos(as) e urbanistas.
Por fim, Ana Góes (ABEA) discorreu sobre a importância da interação entre instituições de ensino e a sociedade. Na sequência, a Presidente Catherine Otondo apresentou o texto base do Projeto de Residência Técnica do CAU/SP, objeto da consulta pública.
Saiba mais: assista no canal do CAU/SP a versão integral do seminário
Atualizado em 05/01/2022

Programado para fevereiro de 2022, o curso “PCI – Elaboração de Projeto de Arquitetura Proteções Ativas e Passivas com base no IBC, NFPA1, NFPA101 e NFPA5000” abrange a legislação e o desenvolvimento de projetos para atender aos requisitos de segurança e proteção à vida.
Ministrado pela engenheira civil Debora Arjona Tome, com especialização em “Prevenção e Combate a Incêndio e Explosões” pela USP, este curso apresenta os códigos NFPA 101 – Código de Proteção a Vida e NFPA 5000 – Código de Segurança e Construção de edificações.
O público-alvo são profissionais da engenharia civil, arquitetura, engenharia de segurança do trabalho e engenharia de segurança contra incêndio.
O curso tem apoio institucional do CAU/SP. Profissionais regularmente registrados têm direito a um desconto especial no valor da inscrição.
Serviço
Curso PCI – Elaboração de Projeto de Arquitetura, Proteções Ativas e Passivas com base no IBC, NFPA1, NFPA101 e NFPA5000
Dias 08, 09 e 10 de fevereiro de 2022
Das 18h às 21h
Inscrições e mais informações: https://rededeespecialistas-sci.com.br/rede-de-especialistas/pci-nfpa-101/

Richard Rogers, arquiteto britânico vencedor do Prêmio Pritzker, cujo modernismo convidativo e colorido alterou para sempre as paisagens urbanas de Paris e Londres, morreu neste sábado (18) em sua casa, em Londres. Ele tinha 88 anos. Seu filho, Roo Rogers, confirmou a morte, sem informar a causa.
Com seus projetos marcantes para o Centro Pompidou, em Paris; o Millennium Dome, em Londres, que parece pairar como uma nave alienígena; e o impetuoso edifício Lloyd's, de Londres, com seu átrio imponente, Rogers virou a arquitetura do avesso. Quando ele foi premiado com o Pritzker, a maior honra da arquitetura, em 2007, o júri citou sua “interpretação única do fascínio do movimento moderno pelo edifício como máquina” e disse que ele “revolucionou museus, transformando o que antes eram monumentos de elite em lugares populares de intercâmbio social e cultural, tecidos no coração da cidade.”
Ele teve seus críticos, entretanto, especialmente no início. Em um dia chuvoso de 1977, Rogers estava parado em uma rua de Paris admirando o Centro Pompidou que logo seria inaugurado — o projeto havia sido feito em parceria com o arquiteto italiano Renzo Piano —, quando uma mulher elegantemente vestida ofereceu-lhe abrigo sob seu guarda-chuva. Ela então perguntou se ele sabia quem havia projetado o edifício. Quando ele anunciou com orgulho: "Madame, fui eu!", relembra em suas memórias , ela bateu na cabeça dele com o guarda-chuva e saiu marchando.
Seis anos antes, Rogers e Piano haviam entrado em uma competição para projetar aquele centro cultural, sobre um estacionamento sujo em um bairro de prostituição. Eles chamaram seu projeto, com sua carapaça de aço transparente, escadas rolantes tubulares e sistemas expostos pintados em cores primárias, de "um lugar para todas as pessoas".
Arquiteto britânico Richard Rogers, conhecido por Centro Pompidou em Paris, morre em 18 de dezembro. de 2021 — Foto: Fernando Llano/AP
Com uma piazza ao nível da rua e interiores flexíveis para abrigar uma biblioteca, uma galeria de arte e um palco de música, o edifício (batizado em homenagem ao ex-presidente francês Georges Pompidou) pretendia ser um fórum para a vida pública, em vez de um mausoléu de alta cultura. No entanto, todo o empreendimento parecia condenado desde o início: sua inscrição foi inicialmente devolvida por falta de concorrentes. Depois que ganharam a competição, houve uma oposição constante e mordaz ao seu design moderno e ousado, visto por muitos como uma profanação do horizonte de Paris.
O herdeiro de um artista proeminente jurou que ela preferia queimar as pinturas a pendurá-las ali. Quando o Centro Pompidou finalmente foi inaugurado, em janeiro de 1977, as críticas eram previsivelmente mistas: “Paris tem seu próprio monstro”, declarou "Le Figaro", “assim como o Loch Ness”. Mas o público adorou e as pessoas faziam fila às centenas todos os dias. Sete milhões de visitantes naquele ano, mais do que compareceram ao Louvre e à Torre Eiffel juntos.
Escrevendo no "New York Times", o crítico de arte Hilton Kramer chamou o edifício de "uma das realizações arquitetônicas mais deslumbrantes dos últimos tempos". “Simplesmente não se parece com nada que já se tenha visto antes”, escreveu ele, “e, portanto, é especialmente assustador para as pessoas que não conseguem suportar a ideia de algo realmente novo na arte de construir.”
Richard George Rogers nasceu em 23 de julho de 1933, em Florença, na Itália. Ele era neto de um dentista inglês, o que significava que não tinha apenas um sobrenome anglicano, mas também um passaporte britânico. Seu pai, Nino, era médico e anglófilo; sua mãe, Dada, era filha de um arquiteto e engenheiro. Culta e politicamente progressista, a família fugiu da Itália fascista em 1939 e mudou-se para a Inglaterra com a guerra chegando à Europa.
Nesse ponto, o mundo de Rogers, como ele escreveu em suas memórias, passou de colorido para preto e branco: Londres foi engolfada pela poluição causada pelo carvão em brasa. Seu pai trabalhava em uma clínica de tuberculose, junto com sua mãe. Quando ela pegou a doença e foi se recuperar nos Alpes, Rogers, de 6 anos, foi mandado para um internato.
Disléxico e estranho para seus colegas de escola, ele foi intimidado e espancado e, aos 9, pensou em se atirar da janela de seu quarto. Sua deficiência de aprendizagem não era amplamente compreendida ou mesmo reconhecida naquela época; ele era, dizia, visto como estúpido. “As pessoas me perguntam se a dislexia faz de você um arquiteto melhor”, escreveu Rogers em suas memórias. “Não tenho certeza se isso é verdade, mas exclui algumas carreiras, então te concentra no que você pode fazer.”
À deriva depois da escola, ele se juntou ao exército britânico e serviu dois anos em Trieste, na Itália. Nessa época, passou um tempo com um primo, Ernesto Rogers, um arquiteto e urbanista famoso, e trabalhou em seu escritório em Milão. O trabalho de Ernesto Rogers, com uma promessa cívica e versão calorosa do modernismo, inspirou Richard Rogers a ingressar na profissão. Depois de um ano na escola de arte, ele se matriculou na Architectural Association School of Architecture em Londres, na época a única escola desse tipo na Grã-Bretanha.

O Plano Diretor é o instrumento básico de definição do modelo de desenvolvimento de um município. Ele estabelece diretrizes e estratégias para a execução de planos, programas e projetos, buscando enfatizar a participação popular, a sustentabilidade econômica, social e ambiental. Mas sua influência sob a cidade vai muito além do que se imagina: ele acaba influenciando fortemente o volume e a forma de toda nova edificação.
Nas cidades cada vez mais cresce a demanda por unidades habitacionais, principalmente em zonas já consolidadas. No entanto, com as restrições do plano sobre os terrenos, o mercado tem dificuldade para atender esta demanda, resultando no aumento dos preços dos terrenos. Os construtores, na intenção de diluir o custo do terreno ao máximo, quase sempre acabam optando por esgotar o seu potencial construtivo estabelecido. É exatamente nesse ponto que o Plano Diretor praticamente assume o papel de arquiteto, “desenhando” o empreendimento com seu conjunto de normas.
Isso ajuda a explicar por que muitos prédios são parecidos em sua forma: possuem infraestrutura condominial no térreo, acessos laterais para os estacionamentos nos subsolos e/ou nos fundos do terreno, e a torre propriamente dita é centralizada no terreno.
Segundo o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre, os recuos para ajardinamento obrigatórios delimitam áreas destinadas a assegurar predominância dos elementos naturais sobre os de construção, na tentativa de valorizar a paisagem urbana nas áreas residenciais. Mas ao afastarmos os edifícios das calçadas, na tentativa de liberarmos o solo para áreas de lazer, acabamos gerando áreas condominiais inutilizadas. Com pouco, ou nenhum uso da frente dos empreendimentos, as calçadas ficam sem vida. O último passo é a construção de cercas para os edifícios se protegerem do ambiente inóspito que é criado na rua.
No que tange a volumetria, nas cidades brasileiras os recuos quase sempre aumentam de acordo com a altura do edifício, motivo pelo qual nem sempre é vantajoso atingir o limite máximo permitido no terreno. Para atingir grandes alturas, em muitos casos, seria necessário construir uma edificação estreita demais para que conseguisse simultaneamente respeitar os afastamentos.
Em Porto Alegre, os recuos de frente, lateral e de fundos, para os prédios que ultrapassarem os limites máximos previstos para construção na divisa, devem ser livres de construção e variam entre 18% a 25% da altura da edificação, garantido um mínimo de 3 metros de afastamento das divisas. Quando a edificação for constituída de dois ou mais volumes distintos, os afastamentos serão medidos em função da altura de cada volume, com relação ao trecho da divisa que lhe corresponder.
O plano faz com que a cidade perca uma boa oportunidade de tornar as ruas um espaço ativo e agradável. Com edifícios longe das calçadas e uns dos outros fica difícil viabilizar atividades comerciais no térreo, pois é a continuidade das lojas e sua proximidade com o pedestre que realmente agregam valor comercial, facilitando o acesso e a leitura das vitrines. Não coincidentemente esta é exatamente a forma de qualquer rua comercial de sucesso — replicada nos shopping centers do mundo inteiro.
Se mesmo assim o incorporador desejar aproveitar o térreo, o PDDUA trará outro incentivo contrário, pois se forem construídas somente áreas condominiais (como hall de entrada, portaria e salão de festas) ela não será contabilizada nas áreas “adensáveis”, que entram na conta da área máxima que pode ser construída para um determinado terreno. Se o incorporador construir uma loja de 100 m² no térreo ele estará abrindo mão da possibilidade de construir um apartamento com os mesmos 100 m² em um andar mais alto: com as calçadas já vazias de pedestres é rápida a sua decisão em eliminar a loja.
Existe ainda um incentivo forte na construção de estacionamentos, que além de vagas serem exigidas para todos os apartamentos (mesmo se tiverem 50 m²) são considerados como áreas “isentas”, ou seja, não contam na área construída, podendo o incorporador construir uma garagem do tamanho que ele desejar. Incorporadoras frequentemente acabam utilizando esse benefício para agregar valor às unidades, resultando em carros ocupando boa parte do térreo dos edifícios. Isso se torna um grande incentivo ao uso do carro e a uma consequente exclusão urbana, desestimulando ainda mais o uso da calçada.
Nas torres predominam soluções arquitetônicas padronizadas, novamente buscando o melhor aproveitamento do potencial construtivo em virtude da forma com que ele é contabilizado. Se sacadas forem construídas abertas ou totalmente envidraçadas com até 2,5 m de profundidade e vinculadas à área social do apartamento elas não contam como área adensável, normalmente sendo vendidas como “área privativa” ao consumidor. Isso também explica porque é raro encontrar sacadas junto aos dormitórios, pois nesse caso elas seriam computadas na área construída do edifício.
Soluções diferenciadas, como rasgos verticais nas fachadas ou panos de vidros, estão cada vez mais complicados de projetar, não por dificuldades construtivas, mas pelas instruções de combate ao incêndio do Corpo de Bombeiros. Segundo essas regras, não é permitido ter nenhuma abertura entre pavimentos com distância inferior a 1,2 m. Ou seja, para executar um pano de vidro é necessário construir uma mureta que, somada à espessura da estrutura, alcance essa distância mínima, impossibilitando o conceito e, por exemplo, um vidro do piso ao teto. Por mais que desejamos assegurar a segurança das edificações, Porto Alegre é uma das únicas cidades no mundo a aplicar essa norma, já que não é claro o benefício que ela traz na segurança em caso de incêndios.
Claro que existem outros motivos pelos quais os empreendimentos sejam tão semelhantes: soluções de engenharia tentam concentrar as áreas “molhadas” como cozinha, lavanderia e banheiros na mesma área da planta. Os costumes dos consumidores locais também norteiam uma série de decisões dos projetos, e plantas de empreendimentos que tiveram grande aprovação dos consumidores também são usadas como referência para novos empreendimentos.
Mas o papel do Plano Diretor deveria ser diferente. Ele deveria incentivar a diversidade das edificações para que cada nova construção pudesse inovar nas soluções arquitetônicas e construtivas. Arquitetos deveriam ter mais opções, não menos, para que possam interferir na paisagem de forma diversa e heterogênea, oferecendo opções diferentes para cidadãos diferentes e assim qualificando o espaço como um todo.
Publicado originalmente em 13 de outubro de 2019, atualizado em 16 de outubro de 2020. Via Caos Planejado.

Peculiar, a obra do arquiteto e urbanista Ruy Ohtake, nascido em 1938, transformou a paisagem urbana no Brasil e no mundo – mas, sobretudo, na capital paulista, onde construções e intervenções com sua assinatura despontam desde a região central até bairros periféricos.
Primogênito da pintora, gravadora e escultora Tomie Ohtake (1913-2015), o paulistano se formou pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 1960. Pouco depois de graduado, já trabalhava com os elementos que viriam a marcar seu trabalho, notáveis nas inúmeras residências que priorizam o convívio social e, de modo similar, nos edifícios culturais, institucionais, comerciais e hotéis com foco na integração entre os espaços.
Somado à preocupação com a funcionalidade e a materialidade, o apuro formal é sua característica mais distinta. Embora a predileção pelas curvas sempre tenha gerado comparações com Oscar Niemeyer (1907-2012), especialistas ressaltam as distinções: se para o arquiteto carioca a curva “preserva um raciocínio gráfico que se transporta do desenho para a obra”, no entendimento de Ohtake ela “assimila a ‘liberdade plástica’ pelo viés da maleabilidade da forma”, observa Rodrigo Cristiano Queiroz, professor da FAU-USP.
Sua atuação não se limitou aos projetos arquitetônicos: Ohtake desenvolveu peças de mobiliário e objetos, lecionou nas Faculdades de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Católica de Santos e presidiu o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) na virada das décadas de 1970 e 1980.
Como resultado da prolífica carreira, recebeu dezenas de honrarias ao longo dos anos, com destaque para o Prêmio Carlos Millan, em 1971, e a Comenda Colar de Ouro, em 2006, ambos concedidos pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).
Parque Ecológico do Tietê (1976)

Criado por decreto estadual, o parque paulistano ganhou projeto arquitetônico e paisagístico pioneiro, que previa a despoluição do rio e a recuperação da fauna e flora locais, além de privilegiar o usufruto da população, com a formação de bosques e lagos e a instalação de equipamentos sociais para atividades de lazer.
Embaixada do Brasil em Tóquio (1982)

Em uma rua estreita no bairro de Aoyama, na capital japonesa, os cinco pavimentos do prédio da embaixada brasileira se destacam pela fachada curva e pelas cores vivas e contrastantes, presentes no caixilho e na estrutura que se projeta do vão.
Conjunto Aché Cultural/Instituto Tomie Ohtake (2001)

Apesar de ocupar 65 mil metros quadrados, o enorme complexo — que inclui prédios de escritórios e o centro cultural que leva o nome da mãe do arquiteto — preza pela unidade, sendo marcado pelo uso das formas, materiais e espaços bem integrados. O projeto rendeu a Ohtake um prêmio na 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, em 2001.
Hotel Unique (2002)

Hoje perfeitamente incorporado à silhueta e ao repertório da cidade, o arrojado formato do hotel surgiu de desafios de ordem prática: criar uma construção que se destacasse em uma área onde são permitidos apenas prédios com até sete andares e atender à preferência dos hóspedes por quartos nos pavimentos superiores.
Conjunto habitacional Heliópolis (2008)
Diante do desafio de ajudar a levar beleza, funcionalidade e dignidade aos moradores da comunidade na zona sul de São Paulo, o arquiteto concebeu os edifícios cilíndricos, apelidados de Redondinhos: com separação adequada entre si, os prédios não têm corredores e contam com boa ventilação e iluminação natural nas unidades.
Ruy Ohtake coleciona uma série de obras emblemáticas em seus mais de 60 anos de carreira. Formas sinuosas e o uso destemido das cores marcam sua arquitetura e suas incursões no universo do design. Ruy foi o homenageado do Prêmio Casa Vogue Design 2020. Encante-se!
Texto e iimagens Casa Vogue

Entre os dias 07 e 09/12, o CAU/SP promove o seminário “Desafios para a Arquitetura Paulista: Diálogos sobre o Ensino e Formação em Arquitetura e Urbanismo” via teleconferência.
Tendo por público-alvo profissionais arquitetos e urbanistas, coordenadores de cursos de Arquitetura e Urbanismo, docentes e alunos, este evento visa a debater o ensino e formação, e a prática profissional a partir dos desafios contemporâneos articulados em três eixos: Residência em Arquitetura e Urbanismo; Cidade, Patrimônio e Paisagem; e Desenvolvimento e Atuação Profissional.
O seminário é uma iniciativa do Colegiado das Entidades Estaduais de Arquitetos e Urbanistas (CEAU-CAU/SP) e da Comissão de Ensino e Formação (CEF) do CAU/SP.
Serviço
Seminário “Desafios para a Arquitetura Paulista: Diálogos sobre o Ensino e Formação em Arquitetura e Urbanismo”
Dias 07, 08 e 09 de dezembro de 2021
das 17h às 19h30
Transmissão por meio do canal do CAU/SP no portal YouTube
Dia 07/12 – terça-feira
17h – Abertura
Catherine Otondo – Presidente CAU/SP
Helena Ayoub – Conselheira Federal por São Paulo
Marco Antônio Teixeira da Silva – Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo – SASP
Fernado Túlio – Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo – IAB/SP
Luciana Schenk – Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas – ABAP
Ana Góes – Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA
Milene Abla Scala – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – AsBEA
Victor Massao Verardi Hiarita- Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo – FeNEA
Polina Risso – Vice-Presidente CAU/SP
17h30 – Mesa 01 – Residência em arquitetura e urbanismo: desafios e perspectivas
Bloco 01 – Compartilhando experiências
Heliana Faria Mettig Rocha – UFBA
Angela Gordilho – UFBA
Profª. Gabriela Mazureki Campos Bahniuk – Coordenadora Pedagógica RESTEC POP – UEPG
Prof. Carlos Emmanuel – Coordenador Adjunto RESTEC POP – UEPG
Fernando de Mello Franco – Prefeitura de São Paulo
Malu Refinetti- FAUUSP
Bloco 02 – Desafios futuros
Ana Góes – ABEA
Catherine Otondo – CAU/SP
Bloco 03 – Perguntas e respostas
Ana Lúcia Cerávolo- CEF-CAU/SP
Victor Massao Verardi Hiarita – FeNEA
Marta Lagreca – Gerente Técnica CAU/SP
Dia 08/12 – quarta-feira
17h – Mesa 02 – Cidades, Patrimônios e Paisagens
Bloco 01 – Compartilhando experiências
Flávio Carsalade- UFMG
Mônica Schlee – UFRJ
Aline de Figuerôa Silva – UFBA
Bloco 02 – Desafios futuros
Luciana Schenk – ABAP
Vanessa Bello – CPC CAU/SP
Monica Viana – CPUAT CAU-SP
Bloco 03 – Moderação e Relatoria
Cassia Magaldi – CAU/SP
Tatiana Gaspar – CAU/SP
Dia 09/12 – quinta-feira
17h – Mesa 03 – Desenvolvimento e atuação profissional
Bloco 01 – Compartilhando experiências
Maria Jô Steck
Liana Paula Perez de Oliveira – SASP
Gil Barros – FAUUSP
Bloco 02 – Desafios futuros
Adriana Levisky – ASBEA
Fernanda Querido – CEP-CAU/SP
Maurílio Ribeiro Chiaretti – SASP
Bloco 03 – Moderação e Relatoria
Henrique Melega – ASBEA
Anderson de Almeida- IABSP
Jaqueline Fernandez Alves – CAU/SP

Foi publicado o livro “Verde Urbano”. Trata-se de um primeiro livro da Série “Eu, o meio ambiente e você” que traz temas científicos para serem popularizados.
Este e-book tem capa de Sebastião Salgado, laureado com o prêmio Imperial do Japão, considerado o “Nobel das Artes”, e colaboradores incríveis que escreveram textos simples, de fácil compreensão, de forma que este material possa alcançar facilmente o “grande público”, popularizando a ciência, levando conhecimento para os que não tem pouco acesso e difundindo a construção de um mundo melhor, um mundo mais verde e azul!
O livro é gratuito e pode ser acessado pelo link a seguir: https://bit.ly/2YBMGdH

A associação dá mais uma vez exemplo de mobilização e sensibilidade solidária
Durante o mês de agosto a Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) arrecadou através dos seus patrocinadores da Semana de Arquitetura 2021, coordenada pela diretora Silvia Camargo, mais de 1.800kg de alimentos que foram destinados a três entidades de Ribeirão Preto.
As entidades que receberam as doações, são de perfis diferentes, uma atende pessoas em situação de risco, outra, idosos e a última, crianças, todavia, com um enorme lastro de trabalhos sociais realizados.
"Esta é nossa AEAARP, uma entidade atuante com serviços prestados à sociedade civil, nossos agradecimentos a todos os patrocinadores da Semana que proporcionaram essa ação muito generosa", disse presidente Giulio Prado.
Entidades que receberam as doações da AEAARP
- Casa do Vovô
Com mais de 40 anos de experiência na proteção social de alta complexidade (abrigo institucional), a Casa do Vovô acolhe quase uma centena de idosos.
Anjos da Cidade é uma entidade que fornece semanalmente alimentação e assessoria para moradores em situação de rua em Ribeirão Preto, além da arrecadação e distribuição de alimentos perecíveis.
- A Creche Alvorada é uma entidade com mais de 10 anos de trabalhos sociais que proporciona uma vida melhor a 130 crianças e adolescentes, por meio de ações socioeducativas, culturais, esportivas, de lazer, dentre outras, o projeto visa desenvolver os potenciais de crianças e adolescentes, com idades de 6 a 17 anos, em situação de vulnerabilidade social.
Patrocinadores da 12ª Semana de Arquitetura da AEAARP: Portobello Shop Ribeirão, ConstruPlan, Bontempo, Valente Construções.
Apoio: Prefeitura de Ribeirão Preto, CAU-SP, CasaCor Ribeirão Preto, Tradutec

A Diretoria de Comunicação lançará um novo projeto no dia 18 às 19h pelas redes da AEAARP. Trata-se do projeto Diálogos AEAARP, o primeiro episódio será sobre Patrimônio Histórico.
"A conversa no projeto DIÁLOGOS antecede sua edição, cultivamos, apresentações, formatos e conteúdos em um trabalho conjunto", disse Adriana Bighetti, diretora de Comunicação.
A apresentação será da arquiteta Maria Regina Pontin de Mattos e a mediação do arquiteto Carlos Palladini.
A curadoria do Diálogos é da arquiteta e diretora Adriana Bighetti
A transmissão será vida facebook e youtube @aeaarp