
Até 19/05, o CAU/SP vai aceitar inscrições para a nova chamada pública dedicada a valorizar os trabalhos de excelência desenvolvidos nos cursos de graduação de SP.
O chamamento público 001/2022 tem como finalidade divulgar boas práticas em Trabalhos de Conclusão de Curso – TCC em Arquitetura e Urbanismo, concedendo aos trabalhos selecionados a menção honrosa por meio do prêmio “Nós Projetamos o Futuro 2022”.
Os trabalhos podem ser apresentados nas seguintes categorias:
Somente serão aceitos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvidos (e finalizados) nos cursos de graduação de Arquitetura e Urbanismo das instituições de ensino superior do estado de São Paulo no ano de 2021.
Os TCCs deverão ser inscritos pelo(a) docente orientador(a). Cada docente poderá submeter no total até 02 (dois) TCCs sob sua orientação, inscrevendo-os individualmente, em uma mesma categoria ou em diferentes categorias.
A Comissão de Avaliação responsável pelo julgamento dos trabalhos propostos vai considerar os critérios de compatibilidade com a categoria inscrita, interdisciplinaridade, criatividade, coerência, adequação conceitual e metodológica entre outros (veja Anexo II abaixo)
Eventuais dúvidas sobre este edital podem ser encaminhadas para o e-mail: edital.parceria@causp.gov.br
Todas as respostas serão publicadas no Portal da transparência do CAU/SP, bem como todas as demais comunicações oficiais do certame.
Confira abaixo o edital e seus respectivos anexos:
Edital de Chamamento nº001/2022
Anexo I – Apenso I e II – Documentação para Inscrição
Anexo II – Critérios de Avaliação pelas Comissões de Avaliação
Anexo III – Cronograma Previsto
Anexo IV – Legislações e Documentos de Apoio
Apenso III – Pranchas de Apresentação do Trabalho
Publicado em 04/04/2022

Dirigida aos estudantes, professores e à sociedade em geral, a campanha do Colegiado de Entidades de Arquitetura e Urbanismo junto ao CAU/SP trata da qualidade do ensino nos atuais cursos de Arquitetura e Urbanismo do estado.
“Nós projetamos o futuro – Pela qualidade do ensino e formação na Arquitetura e Urbanismo”. Esta é a ideia central da campanha para conscientizar alunos, professores e a sociedade em geral sobre o direito ao ensino superior de qualidade.
A partir de ações nas redes sociais, podcasts, entre outros meios, além de uma ‘carta-aberta’, as entidades envolvidas pretendem fomentar o debate sobre pontos chave da formação em Arquitetura e Urbanismo.
No hotsite é possível encontrar o conteúdo integral da carta aberta, além de mapa interativo com os cursos de Arquitetura e Urbanismo no Estado de São Paulo, vídeos, textos e imagens.
“Nós projetamos o futuro” é uma iniciativa do Colegiado das Entidades Estaduais de Arquitetos e Urbanistas do CAU/SP (CEAU-CAU/SP), da qual fazem parte, além do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento São Paulo (IAB-SP), a Federação Nacional de estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA) e o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP).
Luta pela formação adequada
O novo profissional precisa deter um conjunto sistematizado de conhecimentos de arte, técnica e ciência, assim como as teorias e práticas de seu campo profissional.
O exercício da Arquitetura e Urbanismo não pode ser origem de danos sociais e ambientais, gerando riscos à segurança, à integridade física, à saúde, ao patrimônio, ao meio ambiente natural e construído e ao bem-estar da coletividade.
Há anos, os integrantes do CAU e de outras entidades da área mantém o entendimento de que é impossível transmitir integralmente esse conhecimento numa relação professor/aluno à distância. E de que os múltiplos espaços da modalidade presencial são essenciais para um processo de formação pessoal e posteriormente profissional.
Saiba mais: Hosite da campanha “Nós projetamos o futuro”

Até 01/04, estão abertas as inscrições para o “Programa Vocacional Estruturado em Arquitetura e Urbanismo”, uma parceria entre o Sebrae-SP e o CAU/SP.
Trata-se de um programa de capacitação e consultoria gratuito destinados a micro e pequenas empresas em Arquitetura e Urbanismo no estado de São Paulo. O objetivo é aumentar o faturamento médio dos empreendimentos atendidos.
Para esta edição do programa serão selecionadas 60 empresas. Tanto a pessoa jurídica quanto a pessoa física responsável devem estar com registro ativo no Conselho.
A seleção será conduzida pelo CAU/SP e as inscrições para manifestação de interesse podem ser realizadas
Para a escolha das empresas participantes, serão considerados critérios como localização, tempo de atuação profissional, porte e segmento de atuação.
Serviço
Programa Vocacional Estruturado em Arquitetura e Urbanismo
Capacitação e consultoria personalizada ministrada por especialistas do Sebrae-SP por meio de plataforma tecnológica
Dias 18 de abril a 21 de junho de 2022
Carga horária: 26 horas
Vagas limitadas
Inscrições:
Fonte Cau SP

Até 15/04, o CAU/SP recebe inscrições de profissionais interessados em prestar serviços de assistência técnica para a Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
Os profissionais habilitados pelo chamamento público 02/2022 vão prestar assistência técnica às perícias, vistorias, pareceres, consultas, avaliações, reavaliações e demais atribuições profissionais de arquitetos e urbanistas, obedecidas também as disposições constantes nos Anexos I e II do Convênio 003/2019.
O credenciamento do profissional seguirá as regras estabelecidas no edital e, tendo sua regularidade comprovada, a vigência do credenciamento será de 12 (doze) meses, sendo possível prorrogar o credenciamento após esse período.
O CAU/SP vai publicará em 11 de maio de 2022 no seu sítio eletrônico, a lista preliminar dos habilitados e enviará aos profissionais inabilitados, por meio do SICCAU, o parecer indicando os motivos da inabilitação.
O Conselho também vai abrir prazo recursal até o dia 16 de maio de 2022 para que os profissionais inabilitados possam protocolar via SICCAU o seu recurso, o qual será analisado pela autoridade competente até o dia 19 de maio de 2022.
Atenção: o profissional arquiteto e urbanista já inscrito no Convênio da Defensoria por
meio do Edital de Chamamento nº 002/2020 poderá realizar a revalidação de sua inscrição
por meio de inscrição simplificada desde que mantenha as mesmas informações pessoais,
categorias de prestação de serviço e municípios indicados na inscrição anterior.
Veja abaixo a íntegra do edital e seus respectivos anexos. O profissional pode acompanhar as próximas etapas desta chamada pública pelo Portal da Transparência do CAU/SP.
Edital de Chamamento nº 002/2022
Anexo I – Tabela de Honorários
Anexo II – Pedido de Pagamento
Anexo III – Ficha de Inscrição
Anexo IV – Modelo de Apresentação do Laudo
Anexo V – Termo de Renúncia-Recusa
Anexo VI – Solicitação de Descredenciamento
Anexo VII – Termo de Convênio nº 03.2019
Anexo VIII – Manual de Procedimentos para Indicação de Assistente Técnico
Publicado em 22/03/2022

O arquiteto Diébédo Francis Kéré, vencedor do Prêmio Priztker 2022, vem sendo celebrado pela sua capacidade de construir obras contemporâneas com materiais locais, servindo ao futuro de comunidades de menor renda.
No Brasil, uma arquiteta e urbanista de São Paulo também está se destacando pela sua abordagem humanitária da Arquitetura e Urbanismo. Quem diz isso é o próprio Francis Kéré.
Em um vídeo de 2020, Francis Kéré mandou uma mensagem de incentivo à arquiteta Ester Carro, que lidera o projeto Fazendinhando, movimento de transformação física, cultural e social que atua no Jardim Colombo, comunidade que faz parte do Complexo de Paraisópolis (SP), a maior favela do país.
“Você é uma privilegiada como eu fui. Quando poderia ter ido trabalhar em qualquer lugar e viver a vida normal de uma arquiteta, você decidiu voltar para o lugar onde nasceu para servir à sua comunidade. É a melhor coisa que você pode fazer.”
Com o projeto Fazendinhando, Ester ajudou a transformar antigo lixão em parque multicultural. Em menos de quatro anos – ao lado da União de Moradores, Arq.Futuro e empresas privadas – a ONG reformou mais de 40 ambientes precários, revitalizou várias vielas e escadarias, capacitou mulheres nas áreas de gastronomia e construção civil e desenvolveu várias atividades culturais, educativas e socioambientais.
“O Francis Kéré é minha principal referência, é muito forte tudo que ele fala. Sempre quis ter a referência de um arquiteto que nasceu em uma comunidade, que havia feito Arquitetura e retornado para seu local de origem, eu nunca conheci ninguém assim”, afirma Ester.
Segundo ela, muitos projetos realizados em Paraisópolis são baseados em conceitos usados por Francis Kéré. “Os projetos dele trabalham muito com material local. Na Fazendinha, nós utilizamos pneu para contenção, utilizamos entulho e plantamos hortas hidropônicas”, afirma.
Outro exemplo é a escuta ativa da comunidade e o uso de mão de obra local. “A gente quer que a comunidade se envolva e participe. Temos esse eixo muito forte voltado para a sustentabilidade.”
O trabalho de Ester Carro já foi destaque no programa do Luciano Huck da TV Globo.
Conexão de ideias
Francis Kéré ficou conhecendo o trabalho de Ester Carro por meio de u amigo em comum, o arquiteto brasileiro Miguel Pinto Guimarães. Miguel entrevistou Kéré para o seu livro “44 em Quarentena”, sobre a cidade pós-pandemia. Os dois chegaram a participar junto do programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo.
Miguel então contou para Kéré sobre o trabalho de Ester, e a identificação foi imediata. Na mensagem enviada para a colega brasileira, Kéré lembrou que, para encontrar um diamante, é preciso antes escavar a terra e mexer na lama.
“Se você consegue fazer essas pessoas felizes, se você consegue transformar esse lixão em um lindo lugar de encontro, então você encontrou o seu diamante”, disse o arquiteto.
Ester disse que se emocionou quando soube que Kéré havia hangado o Prêmio Pritzker. “Chorei, chorei muito. Foi um choque muito grande para mim, porque eu estava com muitas dúvidas e incertezas sobre o mei trabalho, pensando se eatava no caminho certo.”
“A vitória foi do Keré, mas foi nossa também, de nós que acreditamos no poder transformador da Arquitetura e Urbanismo. Se ele conseguiu levar acesso à água para a comunidade, se ele conseguiu construir uma escola primária, se ele conseguiu trabalhar com processo participativo, por que nós não vamos conseguir também?
(Ester Carro, arquiteta e urbanista)
Ester segue trabalhando. Hoje ela está envolvida na reforma de uma moradora do Jardim Colombo, com materiais reutilizados de ambientes da Casa Cor São Paulo. “Queremos, como Kéré, incorporar a reutilização de materiais ao mesmo tempo em que desenvolvemos projetos com cada vez mais qualidade arquitetônica”, afirma.
Publicado em 18/03/2022
Fonte: CAU/BR

Ainda sem as características que já apareciam no modernismo europeu e americano, a arquitetura compareceu timidamente à Semana de Arte Moderna
Pouco mais de oito anos separam a abertura da Semana de Arte Moderna, no Theatro Municipal de São Paulo, da Exposição de uma Casa Modernista, no bairro do Pacaembu, em 24 de março de 1930. O evento, que atraiu personagens ilustres e elegantes da cidade e milhares de visitantes, selava a união da arquitetura com a arte inovadora lançada pelo inquieto grupo que agitou a cena cultural paulistana em fevereiro de 1922.
A residência, assinada pelo ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1972), usava técnicas então avançadas, como o concreto armado, e apresentava traços geométricos, num inusitado jogo de planos e volumes inédito no panorama arquitetônico do Brasil. Nos interiores, um conjunto de móveis funcionais e imaginosos, luminárias integradas ao projeto e obras de artistas como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Victor Brecheret e John Graz, alguns dos organizadores da agora centenária Semana. Mina Klabin, mulher do arquiteto, planejou os jardins.
Em consonância como espírito modernista, ela preferiu plantas locais, como o mandacaru, aos ciprestes e outros exemplares europeus. Um filme raro, recuperado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, disponível na internet, registra a inauguração da mostra, com direito a uma preciosa imagem da presença do líder do movimento modernista, Mário de Andrade.
A exposição na casa da Rua Itápolis, que continua em pé, é um marco da integração da arquitetura com o design e a arte moderna no Brasil. O arquiteto, que chegou ao país em 1923, deu ao movimento modernista de São Paulo uma vertente que não havia na Semana de 22. Não que a arquitetura tivesse sido ignorada: entre as variadas manifestações artísticas reunidas no Theatro Municipal também houve lugar para ela – mas nada que se exibiu há 100 anos no “festival futurista” da Pauliceia se comparava às propostas de Warchavchik.
A arquitetura na Semana
Coube aos hoje pouco conhecidos Antonio Garcia Moya, nascido na Espanha, e Georg Przyrembel, na Polônia, representar o que se considerava “mais atual” em arquitetura. A peça mais bem exposta, colocada no meio do saguão do teatro, era a maquete de um projeto do polonês para uma casa de veraneio de sua família, na Praia Grande, litoral paulista. Chamava-se Taperinha e misturava elementos afrancesados ao estilo colonial brasileiro. Já o espanhol, que veio criança para o Brasil, trabalhou com um tio da pintora Anita Malfatti, tornou-se amigo de Victor Brecheret e foi o ilustrador escolhido por Mário de Andrade para a primeira edição do livro Pauliceia Desvairada. Para a Semana, Moya levou croquis com inclinações geométricas, econômicos em ornamentos, que evocavam construções ibéricas, orientais e pré-colombianas.
Na concepção dos modernistas, os dois simbolizavam um contraponto ao excesso de cópias europeias, ao neoclassicismo e ao ecletismo que proliferavam nas nossas cidades.
Era a arquitetura nova possível naquele momento, num evento que, embora pretendesse romper com o “passadismo”, acabou reunindo, na verdade, produções que nem sempre projetavam o atrevimento vanguardista.
Impulso decisivo
Esse caráter até certo ponto precário e hesitante da Semana já foi apontado por estudiosos, e tem sido lembrado por críticos para sugerir que ela não passou de uma espécie de fraude, cultuada para embelezar e enaltecer a história cultural paulista. Um exagero. É verdade que a Semana não foi, como pode parecer aos desavisados, um big bang do modernismo no país, aquele momento em que, do nada, tudo repentinamente passa a existir sob a magnífica orquestração do espírito renovador paulista.
Manifestações semelhantes ocorriam em outras cidades brasileiras e, afinal, salvo a criação divina, nada se faz assim em apenas sete dias. Mas essa fantasia esteve presente na idealização e organização do grande sarau de 1922, naquele tempo em que a chamada Metrópole do Café contava com menos de 600 mil habitantes e tentava desafiar o lugar então incontestável do Rio de Janeiro como nosso maior centro cultural e cosmopolita.
A Semana foi, em muitos aspectos, uma tentativa de São Paulo, no ano do Centenário da Independência, se firmar como novo polo de irradiação cultural. Um brado do Ipiranga no terreno das artes, que explicitava a ambição paulista de exercer um papel de protagonista na atualização estética do Brasil. Tudo somado, o grupo de 22, ou ao menos parte dele, mostrou-se nos anos seguintes muito fértil em sugestões e relevante em obras – e nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral tornaram-se referências marcantes da arte nacional no século 20.
Quanto à arquitetura moderna brasileira, provou-se, como se sabe, de uma força irrefutável e ganhou justa consagração internacional – com representantes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e outros tantos. Ainda que não deva seu desenvolvimento ao movimento deflagrado pela Semana, a modernização da arquitetura no Brasil certamente se beneficiou daquele impulso. Contou com a contribuição de Warchavchik, atraiu a colaboração de artistas como Portinari e Di Cavalcanti e foi tocada pelas utopias e pela liberdade de experimentação já presentes no programa modernista de 22.

A AEAARP promoverá para seus associados uma visita técnica para EXPO REVESTIR 2022 que tem como tema - Presencial + Digital: sem fronteiras e com foco em diferentes públicos.
A associação disponibilizará ônibus no dia 10 de Março com saída prevista para às 5h30 do estacionamento da AEAARP pela rua Clemente Ferreira, altura do número 311
O associado com interesse precisa se cadastrar através do link:
https://www.sympla.com.br/expo-revestir-sp__1483143
Aviso: Em caso de cancelamento é obrigatório o aviso prévio de três dias da visita técnica, para não prejudicar a organização impedindo a substituição do desistente.
Para acessar o local do evento, será exigida, no mínimo, a comprovação das duas doses ou dose única da vacina contra o Covid-19.
Decreto nº 60.989, de 6 de janeiro de 2022, da Prefeitura de São Paulo.
EXPO REVESTIR
De volta aos estandes presenciais, a Expo Revestir já tem 200 expositores confirmados e ocorrerá entre 8 e 11 de março de 2022; FIAC será 100% virtual!
Um ano após a sua 19ª edição ser realizada virtualmente, a Expo Revestir está de volta aos salões do Transamerica Expo Center, em São Paulo, para celebrar os 20 anos de sua existência, consolidando-se como uma das principais feiras de inovação, design e negócios da América Latina.
A retomada presencial favorece o reaquecimento do networking e o ineditismo do formato é mais uma das novidades do evento, que será realizado entre 8 e 11 de março de 2022.
Com cerca de 200 expositores já confirmados, o evento atingiu seu limite de inscrições para os estandes, em que profissionais dos ramos de arquitetura, design e engenharia poderão conferir as principais tendências e experiências do setor para 2022 e início de 2023.
Além da feira física, a Revestir engloba o Fórum Internacional de Arquitetura, Urbanismo e Construção (FIAC), que será realizado 100% on-line para todos os públicos. Nele, palestrantes discutem a realidade global da arquitetura e do design e os desafios enfrentados nos campos.
Colaborou Casa e Jardim

Em fevereiro de 1922, um grupo de jovens artistas enfrentou os acadêmicos e se reuniu em São Paulo para se manifestar e expor obras que rompiam com os padrões rígidos da época. “Foi uma libertação! Quando aconteceu a Semana de Arte Moderna, não se tinha a perspectiva de que aquela energia boa durasse 100 anos. É a vanguarda que permanece”, diz o arquiteto Gustavo Penna, que celebra o movimento responsável por mudanças nas artes e também na arquitetura, no design e no paisagismo do país. “Os modernistas nos mostraram que somos uma nação de outra dimensão: não se deve olhar só o que acontece fora, mas reconhecer nosso valor. Como ter as obras de Brasília e Pampulha sem a Semana de 22, feita por uma elite, mas que pensou o Brasil como um todo e plural?”

Na arquitetura, o modernismo deixou sementes que são referências nos projetos de construções atuais, segundo o arquiteto Milton Braga, sócio do escritório MMBB e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). “A arquitetura moderna começou a dar frutos mais tarde porque tem escala que demora a ser feita. Na década de 1920, os primeiros arquitetos a se manifestarem em projetos foram Lúcio Costa e Gregori Warchavchik”, diz Milton.
“Como professor de projetos, posso dizer que a agenda moderna na arquitetura continua presente um século depois da Semana, principalmente no Brasil, que é um país em consolidação. A cidade justa e sustentável era um ideal naquela época e continua sendo hoje.”

A arquiteta Ana Sawaia lembra a importância do movimento, que aconteceu 100 anos depois da Independência do Brasil. “Com a revolução industrial, novas tecnologias surgiram e refletiram nas artes. Em São Paulo, os artistas fizeram reuniões para romper com a estética de fora e produzir arte genuinamente brasileira”, diz.
Ela recorda que o poeta e pintor Menotti Del Picchia levou dois arquitetos estrangeiros para a Semana que apresentaram projetos antiquados, com adornos que nada tinham a ver com os princípios modernistas lançados à época na Europa. “Mas as obras de arte contaminaram os arquitetos no país, que começaram a olhar mais para a estética da casa, para o equilíbrio com a limpeza dos ornamentos e, com pouco, criar ambiente aconchegante.”

Para o arquiteto André Scarpa, a ruptura com o academismo e o neoclássico nas obras de arte abriu caminho para a modernidade na escultura de Victor Brecheret, que repercutiu na arquitetura. “A maior lição que ficou é a valorização da brasilidade”, diz. Ele lembra que, em 1928, o escritor Oswald de Andrade, que participou da Semana de 22, publicou o Manifesto Antropofágico, que proclamava comer de outras culturas para dar forma a uma cultura brasileira. “Na arquitetura, a ideia era criar uma identidade nacional aproveitando as vantagens de nosso clima tropical, como a construção de prédios elevados com jardins embaixo”, afirma. “Olhar para o que temos de bom e ver nosso potencial imenso para ser o país do futuro.”
Retrato do escritor Oswald de Andrade, feito em 1922 por sua ex-mulher Tarsila do Amaral (Foto: Reprodução)
Na década de 1920, São Paulo começava a se transformar em uma cidade cosmopolita e recebia as influências da diversidade cultural dos imigrantes europeus retratados no quadro Operários, de Tarsila do Amaral. Na tela aparece a figura do arquiteto Gregori Warchavchik, de origem ucraniana, que chegou ao Brasil em 1923 e se aproximou dos artistas da Semana de Arte Moderna. Ele e o paulistano Rino Levi, que estudava arquitetura na Itália, ficaram empolgados com as manifestações do movimento e enviaram a jornais brasileiros cartas-manifestos em 1925, que foram fundamentais para divulgar no país as ideias do modernismo europeu e a necessidade da renovação da arquitetura.
O quadro 'Abaporu', 1928, obra de Tarsila do Amaral (Foto: Reprodução)
Os dois abordavam os conceitos do arquiteto Le Corbusier, franco-suíço, publicados em artigos na revista L’Esprit Nouveau. Na carta-manifesto, Rino anunciava um novo espírito: arquitetura de volumes, linhas simples e poucos elementos decorativos. “É preciso estudar o que se fez e o que se está fazendo no exterior e resolver nossos casos sobre estética das cidades com alma brasileira”, escreveu o arquiteto, que exaltava a vegetação do país para usar em jardins e parques.
Uma das visões do modernismo era a da casa-máquina capaz de suprir todas as necessidades. Mas, segundo Milton Braga, hoje ter ar-condicionado não é mais o ideal em uma casa moderna. “Isso mudou com a visão de ter uma casa sustentável. Utiliza-se de artifícios para obter ventilação natural mais eficiente e reduzir o consumo de energia elétrica”, diz. “Na arquitetura e no urbanismo, a racionalidade e a tecnologia continuam valendo como valores propagados na época.” Ele observa que a Villa Savoye, na França, primeira casa em que Le Corbusier aplicou seus Cinco Pontos da Nova Arquitetura, na década de 1920, ainda é atual se comparada a um carro daquela época: “a casa não é datada como o carro se mostra”.

“Cada vez são mais importantes nas casas contemporâneas o concreto armado, a estrutura independente, as janelas em toda a fachada, o apoio de pilotis que permitem o pátio embaixo e a cobertura como terraço-jardim”, afirma Milton. “Warchavchik pautou o assunto em seus projetos, mas não fez obras tão marcantes. No Brasil, os nomes fortes são Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas e Lina Bo Bardi, que ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.” Um exemplo é a Casa de Vidro, que Lina projetou seguindo os princípios de Le Corbusier. “Lina ampliou a visão da modernidade no Brasil. Fez o MASP com o vão-livre pois era comprometida com uma sociedade mais justa e com a cultura popular”, diz. “A visão do moderno foi ampliada na arquitetura brasileira, e as aspirações da Semana de 22 continuam valendo.”
Museu de Arte de São Paulo (MASP), projeto de Lina Bo Bardi (Foto: Getty Images)
O arquiteto André Scarpa lembra que o modernismo demorou a acontecer na arquitetura, mas destaca a importância das casas projetadas por Warchavchik, que aboliu as ornamentações. “Já tinha os valores modernos. Isso foi o principal impacto da Semana de 22 na arquitetura”, diz.
O escritor Oswald de Andrade escreveu texto sobre sua visita à casa da rua Itápolis, projetada pelo arquiteto ucraniano em 1930. “Da Semana de Arte Moderna à casa vitoriosa de Warchavchik vão oito anos de gritaria para convencer que Brecheret não era nenhuma blague, que Anita Malfatti era a coisa mais séria do mundo, que a literatura da Academia Brasileira de Letras era uma vergonha nacional...”
'Monumento às Bandeiras', escultura de Victor Brecheret, que participou da Semana de 22 (Foto: Getty Images)
Os modernistas passaram a usar a tecnologia a favor da arquitetura, criando prédios inteligentes, como lembra Ana Sawaia. “Rino Levi fez já em 1960 o prédio na Avenida Paulista com fachada de brises, que dispensava ar-condicionado. Em São Paulo, Lina Bo Bardi empregou a tecnologia até o limite para fazer o vão-livre no MASP, e Niemeyer teve a ousadia das curvas, possível com o concreto armado, que tem tudo a ver com nossa brasilidade”, afirma.
Detalhe do Palácio Capanema, RJ, construído de 1936 a 1945 por Lúcio Costa, que teve a colaboração de Le Corbusier (Foto: Pablo Jacob / Infoglobo)
André Scarpa recorda que os arquitetos do Rio de Janeiro estavam mais abertos ao pensamento moderno por conta da visita de Le Corbusier, que contribuiu no projeto do Palácio Capanema, em 1935, obra de Lúcio Costa. “Em 1942, Niemeyer projetou o Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, e em 1958, o Edifício Copan, em São Paulo. Depois foi fazer Brasília”, diz. “Em São Paulo, Rino projetou o Cine Art-Palácio, em 1926, marco arquitetônico com linhas retas.” E lembra que Artigas fez o Edifício Louveira, em 1950, com as janelas voltadas para o jardim interno, quando a Prefeitura exigia que fossem para a rua. “Por mais que existisse uma classe pensante querendo inovar na arquitetura, a burocracia impedia mudanças.”
Igreja no conjunto da Pampulha, MG, projetado em 1940 por Niemeyer (Foto: Getty Images)
O arquiteto Pedro Kastrup Buzanovsky considera que o movimento modernista foi importante porque levou à limpeza das formas e à valorização da materialidade. “Com a revolução industrial, veio a produção em larga escala de aço, concreto e vidro. O modernismo levou funcionalidade e mais luz aos projetos. A autoria identificada com o Brasil se perpetuou pelas gerações futuras.” Segundo ele, houve reinterpretações, mas ficou o essencial. “Tirar os excessos para uma arquitetura limpa tem cada vez mais sentido nos dias atuais. A sofisticação e a sutileza das formas simples nos projetos de interiores e no design de peças fazem esses durarem mais tempo. Por isso, valorizamos o móvel moderno com leveza e bem pensado, como os criados por Joaquim Tenreiro e Niemeyer.”
As curvas do Edifício Copan, SP, obra de Oscar Niemeyer (Foto: Getty Images)
Ana Sawaia destaca as ideias modernistas que defendem a verdade dos materiais, como concreto aparente e madeira na cor original. “A maior contribuição nos interiores foi o uso dos materiais de maneira franca, que envelhecem bonitos, e os espaços mais fluidos”, afirma. Mas o principal legado da Semana de 22, segundo ela, foi a importância que os arquitetos modernos passaram a dar à arte. “Eles envolveram os artistas plásticos em seus projetos. Niemeyer convidou Athos Bulcão para criar os murais em seus prédios e Roberto Burle Marx para fazer os jardins”, diz a arquiteta.
Palácio da Justiça, em Brasília, projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx (Foto: Getty Images)
O arquiteto e paisagista Raul Pereira afirma que o movimento foi fundamental na arquitetura porque os modernistas inovaram na forma com o pensamento de um mundo mais socializado, com espaços amplos para a convivência e linguagem libertária. “No paisagismo, Burle Marx foi importante. Ele participou mais tarde do movimento e criou o paisagismo tropical moderno, com linguagem singular e obras únicas”, diz. Segundo ele, a paisagista paulistana Mina Klabin foi a primeira a fazer jardim usando espécies tropicais e rompendo com parâmetros europeus, mas criou poucos projetos em casas assinadas por seu marido Gregori Warchavchik. “Mina usou cactos por influência das obras de arte dos modernistas e porque fazem parte de nosso ecossistema”, lembra Raul.
Paisagismo com cactos de Mina Klabin na Casa Modernista, SP, projetada em 1930 por seu marido, o arquiteto Gregori Warchavchik (Foto: Fernando Donasci / Editora Globo)
A arquiteta e paisagista Caterina Poli lembra que a Semana de 22 repercutiu anos depois no paisagismo com a valorização das plantas brasileiras. “O primeiro projeto de Burle Marx foi por volta de 1930, quando fez o jardim da casa de Roberto Marinho, no Rio. Ele era artista plástico e, ao voltar da Alemanha, teve a ideia do jardim tropical depois de se encontrar com pintores da época”, diz Catê. “O paisagismo dele é um reflexo de sua arte, que era modernista. O Palácio Capanema teve a forma inédita de jardim orgânico tropical projetado por ele, que foi o precursor dessa mudança e por isso teve importância internacional.”
Jardim com espécies nativas projetado pelo paisagista Burle Marx na década de 1930 na casa de Roberto Marinho, RJ (Foto: Alexandre Cassiano / Infoglobo)
Raul recorda que Burle Marx foi grande pesquisador de espécies nativas dos nossos biomas, mas também dava importância para as plantas exóticas de outros países. “Ele as adaptava à concepção estética de nosso país em movimento antropofágico. Não tinha preconceito de misturar estilos, mas recusava as topiarias usadas em jardim francês”, lembra. “No modernismo, teve a intensificação do uso de obras de arte em jardins. O próprio Burle Marx, que era artista plástico, as utilizava.”
As linhas modernas do Museu de Congonhas, MG, projetado por Gustavo Penna, em homenagem ao artista Aleijadinho (Foto: Jomar Bragança / Divulgação)
Para Gustavo Penna, os modernistas abriram uma clareira no céu denso acadêmico e nos fizeram sentir o perfume que vem de nós mesmos. “Muitas vezes não nos olhamos por dentro para ver nossa grandeza e delicadeza. Isso constrói a brasilidade”, diz. “Há 100 anos, os modernistas viajavam pelo país. Eram malucos fundamentais. Reconheceram a força do barroco. Viram as obras de Aleijadinho e as declararam arte brasileira”, lembra Gustavo, que considera uma sorte ter projetado o Museu de Congonhas, em Minas Gerais, em homenagem a Aleijadinho. “Agora com a internet, devemos nos conectar mais como um país plural: alegre e criativo. Acredito muito no Brasil”, conclui. “Que venha a Semana de 2022 chover em nossas cabeças a vontade de criar coisas bacanas e honestas.”
FONTE Casa e Jardim

Arquitetos e urbanistas registrados no CAU/SP têm direto a desconto de 30% no valor do curso “Incorporação de edifícios”, oferecido de forma online e ao vivo de 26/01 a 03/02. Este curso tem o apoio institucional do Conselho.
Com carga horária de 30 horas, o conteúdo programático aborda temas como: montagem de tabela de venda, fórmula-mãe da incorporação para o lucro ótimo, definição do tipo de vaga de garagem para fomento das vendas, etc.
O curso é coordenado pelo professor Jamil Rahme, especializado em Engenharia Econômica, Segurança do Trabalho e Transações Imobiliárias, e aborda o tema ‘incorporação imobiliária’ nas áreas técnica, jurídica e comercial, buscando recriar à distância as condições de um curso presencial através de videoconferência ao vivo.
Para mais informações, acesse o site
Serviço
Curso “Incorporação de edifícios: Ao vivo à distância”
Dias: 26, 27, 31 e janeiro e 01, 02, e 03 de fevereiro de 2022
Horário: das 18h15 às 22h45
Para outras informações, acesse ou entre em contato com a equipe pelo email cie@incorporacaodeedificios.com.br ou pelo número (31) 98738-2939

Até 13/05, serão aceitas inscrições para a nona edição do Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura. Esta premiação tem apoio institucional do CAU/SP.
Nesta edição, o prêmio terá duas categorias e seis tipologias além de quatro destaques e o Grand Prix. A intenção é reconhecer projetos arquitetônicos que se destaquem por soluções para o conforto do ambiente, inovação e sustentabilidade, bem como relevância social e urbanística e design.
Além de prêmios em dinheiro e viagem internacional, a Comissão de Premiação poderá a seu critério conceder menções honrosas entre os projetos finalistas, limitadas a uma menção por tipologia na categoria profissional e uma menção na categoria acadêmica.
Serviço
9º Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura – Habitat Sustentável
Informações e inscrições: www.premiosaintgobainasbea.com.br