A cadeia produtiva da soja e do biodiesel terá um levantamento estatístico contínuo da geração de PIB, empregos diretos e indiretos relacionados à atividade e dados de comércio exterior, informa reportagem do Broadcast. Os números são resultado de uma parceria entre a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da (Esalq/USP), de Piracicaba (SP). O objetivo é apresentar estatísticas atualizadas do potencial de agregação de valor e geração de empregos e renda no Brasil a partir da soja, farelo, óleo e biodiesel.

No dia Internacional da Mulher, o núcleo AEAARP Mulher organizou um grande evento com a arquiteta e Psicóloga, Raquel Mazo.  

A palestra “O desafio da mulher contemporânea: poder ser TUDO e não ser obrigada a NADA”, ministrada por Mazo que trabalha com psicoterapia psicanalítica de adultos e adolescentes no consultório em Ribeirão Preto desde 2011, aconteceu no auditório na sede da associação e foi transmitida nas redes sociais, interessados podem acessar através do link:

Além da palestra, o Coral Som Geométrico AEAARP fez um apresentação para todos os presentes. 

“O núcleo AEAARP Mulher nasceu para dar voz à mulher que atua em um campo majoritariamente masculino, e ontem foi uma noite de brindarmos isso, com uma palestra que nos fez repensar nossas vidas e hábitos e entender a evolução e conquista que tivemos até hoje em nosso dia a dia; fico feliz, pois, depois de um período de afastamento e com muitas reuniões virtuais (por conta da pandemia), podemos nos reencontrar e aproveitar para colocar os assuntos em dia e fazer networking.... Foi um prazer poder recebê-las neste evento”, disse a arquiteta e urbanista, Mirela Idino, coordenadora do AEAARP Mulher. 

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?
O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

O setor sucroenergético representou 79,5% da geração de bioeletricidade ofertada à rede em 2021, o que representa 20,2 mil GWh, informa a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Apesar da parcela expressiva, o total representa queda de 10,6% em relação a 2020, em parte por causa da quebra na safra de cana do Brasil, revela o Broadcast. A bioeletricidade vinda do setor sucroenergético representou 4% do consumo anual de energia elétrica do País no ano passado.

Balanço da ABIA aponta que desempenho do mercado interno foi puxado pelo setor de food service. Exportações cresceram influenciadas pelo aumento da demanda mundial combinada com a taxa de câmbio favorável. 

 

Perspectiva é que mercado interno cresça no mesmo patamar em 2022. Alta dos custos de produção foi o maior desafio do ano passado e se mantém como tendência para o primeiro semestre deste ano.

A pesquisa conjuntural da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) apontou crescimento de 3,2% e 1,3% nas vendas e na produção física da indústria de alimentos em 2021, respectivamente. Juntos, mercados interno e externo foram responsáveis pelo faturamento de R$ 922,6 bilhões, 16,9% acima do apurado em 2020. O volume representa 10,6% do PIB estimado para o ano passado. Outro dado que merece destaque é o número de trabalhadores ocupados, 1,2% a mais do que em 2020, totalizando 1,72 milhão de pessoas, ou 21 mil novos postos de trabalho em 2021.

Considerando apenas as vendas para o mercado interno, que representam 73,5% do faturamento, o aumento foi de 1,8%, puxado pelo setor de food service, que respondeu por 26,3% das vendas da indústria em 2021 (24,4% em 2020). Esse incremento foi motivado pelo processo de retomada, com a reabertura dos estabelecimentos, a aceleração da transformação digital e a ampliação do delivery. 

As exportações, que representam 26,5% do faturamento da indústria, aumentaram 18,6% e atingiram o patamar recorde de US$ 45,2 bilhões, impulsionado pela retomada da economia mundial combinada com a taxa de câmbio favorável. 

“O avanço da vacinação e o retorno do setor de serviços contribuíram de forma decisiva para a expansão da produção, com geração positiva de emprego e renda no setor. A demanda por alimentos se manteve crescente no Brasil e no mundo, o que fez com que as empresas mantivessem a produção a todo vapor, e contratando mão de obra”, explica Dornellas. 

Commodities e embalagens

Em 2021, a elevação dos preços das commodities agrícolas teve um papel relevante no custo de produção dos alimentos industrializados. Ao final do ano, Índice de Preços da FAO/ONU apontou que elas atingiram o maior patamar em 10 anos, apresentando uma alta acumulada de 28,1% em relação à média dos preços em 2020. 

No mercado interno, as perdas de produção provocadas pela estiagem prolongada em várias regiões produtoras contribuíram para reduzir a disponibilidade interna de café, milho, cana-de-açúcar e leite, elevando os preços médios em, respectivamente, 60,3%; 42,7%; 36,1%; 24,1%.

No caso das embalagens, a indústria enfrentou altas que chegaram a 100%, além de restrições na oferta. 

Perspectivas para 2022

Apesar de o cenário atual para a economia brasileira apontar a projeção do PIB entre 0,5% e 1%, as perspectivas para a indústria de alimentos em 2022 mantêm-se positivas: espera-se um aumento de 2% nas vendas reais, mesmo se as pressões nos custos de produção persistirem.

Entre os fatores de estímulo ao consumo neste ano estão a correção de 10,06% do salário-mínimo e o processo gradual de recuperação no emprego, inclusive o formal, que contribuem para a melhoria do poder aquisitivo da população.

As vendas no mercado interno deverão seguir em ritmo de crescimento próximo ao apurado em 2021, mais uma vez com destaque para o setor de food service, que pode alcançar 29% de participação nas vendas da indústria. O volume de exportações também apresenta cenário promissor, podendo chegar a US$ 46 bilhões. 

Do lado da oferta, a entrada da nova safra de grãos, a partir de fevereiro -- se confirmadas as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), de expansão de até 12,5% no volume de produção - contribuirá para melhorar a disponibilidade de matérias-primas e reduzir as pressões sobre os custos de produção.

Apresentação: resultados do setor em 2021 e perspectivas para 2022.

https://www.i-maxpr.com/x/1026/d8b/d8b5ecc0f0658de7504a0c2bd3b44349.pdf

Fonte: fsb

Análise das condições climáticas auxilia planejamento da produção agrícola

 

Para uma agricultura de ponta, com alta produtividade, é necessário um planejamento estratégico. Ele envolve desde escolher a melhor época de plantio até a cultura ideal para produzir em determinada região, passando pelas ferramentas e demais itens que interferem diretamente no resultado da plantação, como equipamentos que o auxiliem no monitoramento do clima no campo.

Doutor em microclimatologia do ambiente protegido, o Eng. Agr. Glauco Eduardo Pereira Cortez pontua que o levantamento dos fatores climáticos ou a tentativa de controlar alguns destes elementos que interferem diretamente nas condições do clima, complementa outros processos de produção.

“Não adianta ter as máquinas mais tecnológicas do mercado se falta análise dos fatores de clima no campo. Os produtores que não conhecem a fundo os efeitos das condições climáticas e as consequências destas alterações devem adquirir estes equipamentos e, ao mesmo tempo, contratar uma consultoria com engenheiro agrônomo”, observa.

Segundo o engenheiro, os eventos climáticos – principalmente os extremos – sempre foram os principais limitadores para o desenvolvimento agrícola em diversas regiões do país. Cortez ressalta a necessidade de estruturas que realizam a coleta de dados meteorológicos que, geralmente, se repetem periodicamente.

“Esta repetição facilita uma projeção para determinada região de cultivo de quando poderá ocorrer os eventos extremos, proporcionando um planejamento das ações mais adequado para o desenvolvimento da plantação. Naquele período do ciclo cultural mais suscetível a estes eventos climáticos, a plantação estará protegida no campo, ou seja, a probabilidade de ocorrências será menor.”

Para isso, são utilizadas estações automáticas, conectadas à internet e com sensores que medem todos os parâmetros que influenciam diretamente no cultivo, como quantidade e intensidade de chuva, unidade relativa, temperaturas máximas e mínimas do ar e velocidade do vento.

Com o avanço da tecnologia, os sistemas de previsão de tempo têm se tornado mais precisos e acessíveis, ampliando a presença nas propriedades rurais para realização destas análises para as atividades agrícolas, principalmente às relacionadas com o plantio de solo e colheita. Além disso, as estações são necessárias para o balanço hídrico, ferramenta essencial para os produtores que fazem uso da técnica de irrigação.

Os produtores da região centro-sul do Brasil adotam a irrigação principalmente entre o fim do outono e início da primavera. Este período conta com formação de massas de ar quente e seco que fazem um bloqueio impedindo que as frentes frias avancem e causem chuvas nestas localidades, prejudicando as lavouras.

“Poucos produtores destas regiões têm plantio no campo nesta época e isso é caracterizado apenas por culturas anuais, tipo frutíferas, como o café e a cana-de-açúcar, resistentes a maior intensidade de seca. E estes produtores que optam por fazer várias culturas anuais obrigatoriamente vão ter um sistema de irrigação, já que é praticamente impossível a produção sem a utilização deste sistema”, esclarece Cortez.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aponta que a lavoura irrigada possui produtividade de duas a três vezes maior do que áreas de sequeiro (não irrigadas). Atualmente, segundo o levantamento, o Brasil possui 8,2 milhões de hectares de área irrigada, com previsão de aumentar em mais de 4,2 milhões de hectares até 2040 e atingir 12, 4 milhões de hectares com irrigação.

Produzido pela CDI Comunicação
Edição: Equipe de Comunicação Corporativa/GCE

Atento à crescente demanda por crédito para a instalação de sistemas de energia solar no Brasil, o Sicredi acaba de realizar sua primeira emissão de Green Bond (títulos de dívida emitidos especificamente para financiar projetos com benefícios ambientais) no exterior. A emissão feita junto ao BID Invest, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi no valor de USD 100 milhões (cerca de R$ 550 milhões), com 100% dos recursos destinados ao financiamento de novos projetos de energia fotovoltaica e eficiência energética, que estarão disponíveis a partir do final de janeiro. 

Trata-se da primeira emissão de Green Bond subordinado por um emissor brasileiro adquirida pelo BID Invest. A operação conta com certificação da consultoria norueguesa CICERO Shades of Green, especializada em “títulos verdes”, e tem critérios específicos para a seleção dos projetos a serem financiados. Conforme a consultoria, considerando critérios como governança e transparência, a operação se enquadra na pontuação “Dark Green Shading”. A metodologia expressa o quanto um título verde contribui com a redução dos gases de efeito estufa e considera três níveis de pontuação: verde claro, verde médio e verde escuro. 

“Temos observado uma sociedade cada vez mais consciente, com foco em iniciativas sustentáveis e, consequentemente, corroborando para a consolidação de uma economia mais circular. Uma das frentes que nossas Cooperativas atuam de forma relevante é no financiamento à implementação de sistemas para o uso de energia renovável, que vai ao encontro ao movimento global para a redução na emissão dos gases de efeito estufa, no qual o Sicredi está engajado há alguns anos”, afirma Cesar Bochi, diretor executivo de Administração do Sicredi. “Com isso, possibilitamos aos nossos associados recursos para o desenvolvimento de projetos sustentáveis, com impacto positivo econômico, social e ambiental, gerando valor ao negócio e fortalecendo a parceria de longo prazo do Sicredi com as comunidades onde estamos presentes”.

A iniciativa ainda contribui com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs), com os quais o Sicredi é comprometido enquanto integrante do Pacto Global da ONU. Na operação estão sendo atendidos os objetivos 7, 9 e 13, que tratam, respectivamente de Energia acessível e limpa; Indústria, inovação e infraestrutura; Ação contra a mudança global do clima.

A carteira de crédito do Sicredi para financiamento de projetos para uso de energia solar no Brasil totalizou R$ 4,5 bilhões ao final de 2021, com aumento de 93 % em relação ao mesmo período de 2020. Do saldo atingido, R$ 2,4 bilhões foram destinados a associados Pessoa Jurídica (PJ), R$ 1,1 bilhão para Pessoa Física (PF) e R$ 940 milhões para associados do campo (agricultura familiar, médios e grandes produtores). Só nos últimos 12 meses, o volume de crédito concedido pela instituição para essa finalidade no país ultrapassou a marca de R$ 2,5 bilhões. 

Conheça mais sobre as ações e estratégias do Sicredi com relação ao desenvolvimento sustentável no link: https://www.sicredi.com.br/site/sobre-nos/sustentabilidade/.

Fonte: Sicredi

O agronegócio é um setor bastante integrado internacionalmente do ponto de vista das suas exportações, que representam em torno de 25% do seu PIB (enquanto para a economia brasileira, a cifra é de 15%). As exportações do agronegócio aproximam-se da metade do total brasileiro. A China é o principal importador (37%) e União Europeia (com 15%) vem em segundo. Aproximadamente 44% do faturamento externo vem do complexo soja e 16% de carnes. Portanto, as exportações são fundamentais para o agronegócio e para o Brasil. Há, porém, uma grande concentração em termos de destinos e produtos, o que gera desconforto e preocupação. 

O crescimento econômico mundial previsto pelo FMI para 2021 é de 5,9% (após uma queda de 3,3% em 2020) e, para 2022, 4,9%. Daí para frente a projeção é de uma média de 3,3%. Haverá, portanto, recuperação em 2021. Seguirá havendo recuperação econômica mundial em 2022. Essas cifras são representativas dos grupos de economia tanto avançadas como emergentes. Entretanto, o Brasil destoa ao ter um crescimento de 5,2% em 2021 e 1,5% (já otimista) em 2022. Para a China, os números são 8% e 5,6% e para Índia, 9,5% e 8,5%. Não há grande preocupação, portanto, quanto a demanda mundial em geral e pelos produtos do agronegócio, em especial. Já a economia interna, o mercado doméstico, terá desempenho desapontador.

A preocupação vem do fato de a recuperação mundial se dever às políticas fiscais e monetárias que esquentam a demanda enquanto a oferta em diversas cadeias produtivas ainda não retornou à sua trajetória de longo prazo. Ademais o mercado de energia – petróleo, gás, carvão (que em conjunto subiram 95% desde maio), eletricidade (prejudicada por efeitos climáticos) – desarticulou-se com a pandemia e com questões políticas entre países, ademais de uma arritmia nos processos de mudança das matrizes energéticas, fugindo da energia de origem fóssil. Mesma tendência observou-se nos mercados de insumos para a agropecuária. A recuperação da produção ainda não veio, dando combustível para maior inflação pelo mundo afora. Dessa forma, fortes tendências inflacionárias são observadas, que vêm sendo acompanhadas de elevação dos juros. Não se sabe como vai terminar o jogo de forças entre políticas fiscais expansionistas e monetárias contracionistas.  Daí um apreciável grau de incerteza quanto às previsões mostradas acima.

De qualquer forma, a conjunção dessas políticas pode levar à valorização do câmbio, mormente do dólar americano, seguido das demais moedas mais fortes.  Esse movimento tem dois efeitos relevantes para o agronegócio brasileiro. Por um lado, o dólar alto tende a deprimir, em alguma medida, os preços internacionais de commodities. Aliás, quedas já são esperadas especialmente para o segundo semestre de 2022 principalmente para algodão e milho, mas também para soja. Taxas negativas em relação a 2021 entre 10% e 15% são esperadas pelos mercados futuros. Entretanto, os patamares das commodities agropecuárias deverão permanecer mais próximos dos níveis relativamente elevados observados no período de 2010/15 do que os do quinquênio seguinte. Todavia, algo semelhante parece ocorrer com os agroquímicos, cujos preços também voltaram (no decorrer de 2021) aos elevados níveis de 2010. De fato, a FAO capta um co-movimento (alta correlação temporal) entre índices preços de produtos (FFPI) e insumos (GIPI) no mercado internacional. Os combustíveis, no mercado internacional, não reproduziram essa evolução, mas já retomaram os níveis pré-pandemia. No Brasil produtos e insumos se viram empurrados pela evolução do câmbio no Brasil.

De outro lado, desvalorizações do real ficam mais prováveis, embora essa tendência ainda não tenha aparecido com intensidade na pesquisa Focus do Banco Central. Mas o FMI já projeta o dólar a quase R$5,90 para o final de 2022. A marcha dos acontecimentos no plano político-institucional no Brasil não permite descartar desvalorizações significativas na moeda nacional no decorrer do próximo ano.

A questão que fica é o grau em que a desvalorização do real compensará a provável queda das commodities em dólar.  As projeções correntes sugerem que os preços internacionais internalizados sofrerão moderada queda no Brasil. Um cenário realista, entretanto, não levaria a projetar ameaças de quedas relevantes em relação ao patamar atual. O grau de desvalorização do real será dominante na formação dos preços do agronegócio.

Evidentemente os volumes a serem exportados ficam na dependência do avanço especialmente da economia chinesa, a qual parece que se manterá em avanço mais moderado, mas ainda significativo. Importa muito também como vão caminhar as questões sanitárias dos rebanhos da China e também como seguirão as decisões “aparentemente” erráticas desse país no tocante ao uso que faz dos eventos sanitários no Brasil.

O jogo de braço entre EUA e China ainda tem contornos indefinidos, sendo marcado por afastamentos seguido de aproximações. Enquanto questões comerciais não forem trazidas à baila, não há ameaças. Entretanto, a questão climática/ambiental pode assumir proporções mais preocupantes, com prevalência de medidas extra-mercado como estabelecimento de quotas e tarifas ou proibições. Urge que o governo brasileiro faça um trabalho produtivo nessa área, mudando o humor de players da estatura de China, EUA e União Europeia em relação ao Brasil. Esses aspectos sócio-ambientais aparentemente ainda não estão precificados por falta de previsibilidade. Mas é razoável imaginar que, embora o agronegócio venha se empenhando seriamente nas questões ambientais, a imagem do país pode influenciar fortemente o estabelecimento de regras e políticas comerciais amplas.

Cenário Macroeconômico Interno

As perspectivas quanto ao crescimento econômico brasileiro em 2022 vêm piorando sequencialmente. Taxas já próximas a 1% (ou menor) circulam entre especialistas. Enquanto uma fase mais moderada da pandemia se estabelece, os serviços passam a ganhar fôlego, mas a indústria se revela como o setor mais afetado pela crise. O investimento que ganhou algum fôlego mas foi baseado, entretanto, mais em importações de máquinas e equipamentos (enquanto a indústria nacional caía). A construção, em expansão forte, começa a mostrar sinais desanimadores face às condições menos favoráveis de financiamento e juros. Ademais, as incertezas político-institucionais abalam a confiança do investidor.

A expectativa de inflação, captada pelo Banco Central até que se acha moderada, embora em níveis ainda acima da meta oficial. Duas questões sobre a inflação. Por um lado, será largamente afetada pela trajetória do câmbio, que depende bastante dos rumos político-institucionais do país, que tendem a se agravar num ano eleitoral como 2022. Ainda do lado da oferta, o custo da energia pesa sobre a produção – e duramente sobre o consumidor - enquanto as condições climáticas permanecerem severas, com escassez de água.

De qualquer forma, o Banco Central já iniciou um agressivo processo de elevação dos juros que tem limitado potencial para conter o câmbio, nenhum em relação à oferta de energia e lento efeito sobre a inflação ainda bastante indexada no Brasil. Por outro lado, o efeito mais provável ainda em 2022 talvez seja o de contribuir para um crescimento ainda menor. Em síntese, o Banco não tem como produzir juros baixos, que foram estratégicos para a economia brasileira em 2019 e 2020. Da parte do governo, não há possiblidade à vista de que encontre espaço para uma política fiscal expansiva ou não contracionista enquanto as reformas fiscais e administrativas não se definem.  

O agronegócio em 2022

O PIB volume do agronegócio brasileiro tem apresentado nos últimos 20 anos (2000 a 2019, para contornar o efeito do ano atípico de 2020) tendência de crescimento em volume médio de 1,6% ao ano, enquanto a agropecuária o faz a quase 4,7% (com valores semelhantes para lavouras e pecuária). A diferença entre essas taxas e a agregada se deve ao crescimento muito baixo da agroindústria (0,6% em média). O crescimento do volume de grãos tem sido em torno de 7%.

Já a renda do agronegócio (PIB-Renda) tem crescido à taxa média de 0,2% ao ano. Para a agropecuária, especificamente, o crescimento da renda tem sido em média 2,6%, sendo 1,8% para as lavouras e 4,2% para a pecuária. Na verdade, os preços reais da agropecuária (medidos pelos seus deflatores do PIBs) têm caído em média 1,8 % ao ano; os agrícolas, especificamente, 2,6%; os da pecuária, 0,4%.   Produção crescente e preços reais em queda têm sido a marca do desempenho do agronegócio brasileiro. Embora pontos fora da curva possam acontecer, a expectativa é de que o padrão médio de crescimento do setor se mantenha em 2022.

No mercado interno, a demanda deverá seguir relativamente fraca em consonância com o crescimento muito baixo esperado para 2022. Há, porém, um aspecto altamente relevante e provavelmente positivo para o agronegócio que se relaciona ao programa de transferência de renda – Bolsa Família ampliada ou Auxílio Brasil. Em 2020 foi espetacular o impacto social do Auxílio Emergencial de quase R$300 bilhões quando finalmente foi implementado, que terminou por afetar os mercados em geral e o de alimentos em especial. Estima-se que 53% dos recursos transferidos foram dispendidos em alimentação, equivalendo a 20% do VBP agropecuário do ano. Na verdade, foi fundamental para grande parte da sociedade diante das dificuldades de oferta em geral e da disparada do dólar. Ainda não está clara a potência com que virá desta vez. Mas certamente é necessário que os produtores e demais agentes das cadeias produtivas mantenham-se em alerta para um impacto muito expressivo quando o programa passar a ser implementado. Em 2020 o agronegócio chegou a ser apontado como insensível à crise social no contexto da pandemia devido à alta dos alimentos, que, na realidade se deveu ao comportamento do dólar e à forma imprevista – no tempo e no volume de recursos – com que o auxílio foi implementado, não permitindo às cadeias produtivas se planejarem para esse salto de demanda doméstica. Algo da mesma natureza pode suceder em 2022, já em seu princípio.

No front externo, as exportações deverão manter seu desempenho mesmo que os preços internalizados sofram queda moderada (algo incerto até o momento). São bem conhecidas e reconhecidas a competividade e a resiliência do agronegócio brasileiro. Essas características serão mais uma vez postas à prova diante do quadro preocupante do suprimento de insumos altamente dependentes de importação.  Embora, como indica a FAO, preços de produtos e insumos, no mercado internacional, tendam a seguir de formas semelhantes, no Brasil o quadro atual é de uma ameaça (além da alta de preços) de falta de suprimento de insumos na medida em que eventos e medidas extra-mercado ocorram. Outra preocupação relaciona-se à ocorrência em diferentes graus de descasamentos temporais entre operações de compra de insumos e venda de produtos por parte dos produtores num ambiente de alta volatilidade dos mercados, inclusive o cambial.

Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros - Coordenador Científico do Cepea

Fonte: CEPEA

São Paulo, 14/01/2022 - O saldo da balança comercial do agronegócio paulista em 2021 alcançou superávit de US$ 14,39 bilhões, 9,1% superior em comparação com o ano anterior (US$ 13,19 bilhões). No período, a exportação do setor atingiu US$ 18,97 bilhões (aumento de 9,5% ante 2020), enquanto a importação foi de US$ 4,58 bilhões (crescimento de 10,6%). Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Conforme o levantamento, os cinco principais grupos na exportação do agronegócio estadual foram complexo sucroalcooleiro (US$ 6,53 bilhões), complexo soja (US$ 2,57 bilhões), grupo de carnes (US$ 2,53 bilhões), produtos florestais (US$ 1,68 bilhão) e grupo de sucos (US$ 1,59 bilhão).

O complexo sucroalcooleiro teve uma variação positiva de 0,5% em relação a 2020, sendo que o açúcar representou 86,4% do montante exportado e o álcool 13,6%. Já o complexo soja teve crescimento de 24,4% em 2021, sendo que 84,8% das exportações foram de soja em grãos, mostram no estudo os pesquisadores do IEA, José Alberto Angelo, Marli Dias Mascarenhas de Oliveira e Carlos Nabil Ghobril.

No caso do grupo carnes, os pesquisadores do IEA constataram crescimento de 24,4% das exportações em comparação com 2020, sendo que a carne bovina respondeu por 85,4% das vendas internacionais. Também foram verificados aumento de 9,4% das exportações de produtos florestais e de 14,0% do grupo de sucos.

“Esses cinco agregados representam 78,5% das exportações setoriais paulistas no ano”, afirma Celso Vegro, diretor geral do IEA. O grupo do café, tradicional produto do agronegócio paulista, aparece na sexta posição, com exportação de US$ 708,49 milhões em 2021, alta de 15,7% em relação a 2020.

Os principais países importadores dos produtos agropecuários paulistas foram China, Estados Unidos e União Europeia.

fonte http://broadcast.com.br/

A cada safra que se inicia, novos e maiores desafios são impostos àqueles que produzem grão, fibra e energia

 

Os novos desafios exigem muita habilidade sob as óticas estratégica, tática e operacional. Consideremos alguns exemplos: bem no início da safra, quando o produtor pensa que está devidamente preparado, um fornecedor, que lhe vendera algum produto com seis meses de antecedência ao uso, cancela o pedido em momento próximo àquele em que seria necessária a utilização. O que fazer? O produtor vende parte da safra bem antes da colheita, em alguns casos antes da semeadura. Na hora da colheita, o preço de mercado é bem superior àquele que ele comercializou. O que fazer? Esses são apenas alguns exemplos de desafios que o produtor tem que superar, mas ainda existem muitos outros.

De todo o fertilizante utilizado na agricultura brasileira, o Brasil importa algo próximo a 84%. De acordo com a Associação Internacional de Fertilizantes (dados publicados em https://bit.ly/3cTxrAh), o Brasil importa 95%, 80% e 55% dos fertilizantes potássicos, nitrogenados e fosfatados respectivamente. Os fertilizantes de uma maneira geral têm elevada participação nos custos de produção das principais culturas, entre 20 a 30%. Essa dependência deixa o Brasil de certa forma com elevado grau de vulnerabilidade.

Para que possamos produzir de forma competitiva, os fertilizantes são muito importantes e até indispensáveis. São muitas as cultivares de soja, de algodão e híbridos de milho disponíveis no mercado. Qual ou quais utilizar? Vai depender da região, do sistema de produção, do tipo de solo etc. Como decidir? Todas apresentam pontos positivos e negativos. Enfim, o produtor precisa estar muito bem-informado para que ele possa tomar suas diversas decisões. A moderna agricultura possui uma série de “facilidades”, no entanto, é preciso analisar com profundidade todas as ferramentas disponíveis. Os custos de produção estão cada vez mais elevados. Melhorar a eficiência no uso dos insumos agrícolas (fertilizantes, sementes, inseticidas, fungicidas e herbicidas), constitui estratégia fundamental para a sustentabilidade da atividade.

Quando se utilizam adequadamente plantas de cobertura, entre outros benefícios, estas auxiliam no controle de plantas daninhas e, consequentemente, reduzem os gastos com herbicidas e minimizam a competição com a espécie cultivada. Plantas de cobertura também contribuem para melhoria dos aspectos físicos, químicos e biológicos do solo, o que melhora a eficiência dos fertilizantes. Este seria apenas um exemplo, existem diversos outros, tais como o clima, fator que interfere de forma significativa na quantidade e na qualidade do produto. Otimizar as práticas agrícolas de modo a minimizar os efeitos adversos do clima é uma estratégia fundamental.

Os preços de venda dos principais produtos agrícolas (soja, milho, algodão, mandioca e feijão) estão relativamente elevados. Existe uma forte pressão de demanda, especialmente pelo mercado externo, para soja, milho, algodão e carnes. O caso dos preços da mandioca e do feijão se deve muito a redução da área cultivada e efeitos negativos das geadas de junho/julho e do longo período de seca. Embora os preços dos produtos agrícolas estejam relativamente altos, a relação de troca entre produtos e insumos está menos favorável ao produtor. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária, do Brasil, em Cascavel no Paraná, em janeiro de 2021 eram necessárias 15,17 sacas de soja para comprar uma tonelada de Cloreto de Potássio; em maio de 2021, 19,1 sacas. Em Sorriso, MT, a relação passou de 16,7 para 20 sacas de soja por tonelada de Cloreto de Potássio, no mesmo período.

Para muitos, pode parecer que o processo de produção agrícola está se tornando mais simples. No entanto, todo o processo de produção depende muito de tecnologia, capacidade gerencial e sintonia com o mercado comprador dos produtos agrícolas e vendedor de insumos, máquinas e implementos. O produtor deve buscar constantemente aprimorar a sua capacidade de fazer gestão. Estar fortemente assessorado por uma boa assistência técnica é fundamental para o êxito do empreendimento. Resumindo, a agricultura moderna é fortemente influenciada por diversos fatores, muitos dos quais os produtores não têm qualquer controle sobre os mesmos, outros sim. Ter o máximo de controle sobre os fatores controláveis é uma exigência indelegável.

Fernando Mendes Lamas - Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste

A austríaca Schauer Agrotronic chega para atender a atual demanda do setor de suinocultura, cuja legislação exige práticas que promovam o bem estar animal

A força da pecuária brasileira, cujo PIB que vem crescendo acima dos 20% nos últimos dois anos com o uso de novas tecnologias, segundo levantamentos do Cepea USP/CNA, está despertando a atenção de players internacionais do setor de automação. Entre as empresas que estão chegando para conquistar o espaço no mercado está a Schauer Agrotronic, companhia de capital austríaca com 70 anos de atividades e uma das líderes globais em equipamentos e soluções de automação para fazendas de criação de animais. 

Presente em 50 países e líder em seu segmento de mercado nos Estados Unidos e Europa, a empresa reinicia a operação comercial no Brasil, após dez anos, com a divisão de suinocultura, e terá como carro-chefe a linha Compident, que inclui equipamentos para o sistema de alimentação eletrônica (ESF) e avaliação de desempenho em engorda de diferentes genéticas de suínos, além de software de gestão da operação, entre outras ferramentas inteligentes. 

A tecnologia Schauer chega para ajudar o criador brasileiro a adequar-se às exigências da Instrução Normativa nº 113, do Ministério da Agricultura. Em vigor desde 1º de fevereiro, a nova legislação estabelece a adoção de boas práticas que promovam bem estar dos suínos, como criação em ambientes saudáveis e limpos, protegidos de contaminações bacterianas. Entre as empresas que já utilizam os produtos Schauer no Brasil estão a francesa Choice Genetics (especializada em soluções para reprodução e genética suína) e as brasileiras Agropecuária Hartos, BRF e Euclides Costenaro. 

De acordo com Monalisa Gomes, country manager para América Latina e Ibéria da Schauer, a empresa está apostando na força e no potencial do mercado brasileiro. Recente relatório da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) aponta que a produção brasileira de carne suína deverá bater novo recorde neste ano com crescimento de 6% em relação a 2020, atingindo a marca de 4,7 milhões de toneladas. 

"Acreditamos no Brasil e no poder da inovação da indústria local. O sistema de alimentação eletrônica ainda não ganhou força no mercado nacional, porém, esse cenário está mudando, já que muitos produtores disruptivos estão investindo em plantas mais tecnológicas, eficientes e qualificando a sua mão de obra. Esse conjunto de ações permitirá o amadurecimento da tecnologia da Schauer para esse mercado", afirma a executiva. 

Para o seu primeiro ano de operações, a empresa prevê reestabelecer parcerias com representantes e clientes locais, assim como construir uma rede de parceiros de serviços para pronto atendimento para instalação, suporte, manutenção e eventuais garantias, em todo o território nacional. 

Entre os desafios, Monalisa destaca que a suinocultura brasileira precisa se modernizar, assim como a avicultura fez há anos. "Para consolidar esse mercado, é preciso entender que não basta colocar um equipamento eletrônico e achar que não precisa de gente. Muito pelo contrário, as pessoas vão continuar sendo necessárias e o maior desafio é investir na capacitação e desenvolvimento das equipes. Assim, esses colaboradores passam a ter a máquina como aliado e não inimigo, e os gestores passarão a perceber o valor adicionado na mão de obra, mais treinada e melhor preparada para lidar com os desafios de crescimento e inovação do setor". 

Pelo lado operacional, a gerente regional aponta como principal desafio a otimização do tempo de entrega das peças de reposição e de resposta às chamadas. "Como uma empresa europeia, temos que lidar com questões na parte de suprimento e serviço local, entender a necessidade do mercado brasileiro e trabalhar nas melhorias e adaptações para essa indústria, somando ao país a nossa expertise internacional de mais de 70 anos inovando e liderando a tecnologia ESF", conclui. 

Fonte: Lilas Comunicação

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