As lavouras, com faturamento de R$ 875,50 bilhões, foram as principais responsáveis pelo crescimento do VBP, e apresentaram crescimento real de 5,2%. Sua participação no VBP é de 70,0%, e a pecuária 30,0%.

Fonte norteagropecuario

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2022, com base nas informações de junho, atinge R$ 1,241 trilhão, 1,6% acima do obtido em 2021. As lavouras, com faturamento de R$ 875,50 bilhões, foram as principais responsáveis pelo crescimento do VBP, e apresentaram crescimento real de 5,2%. Sua participação no VBP é de 70,0%, e a pecuária 30,0%.

A pecuária teve uma retração de 6,2%, e seu valor é de R$ 365,71 bilhões. Pode-se atribuir esta redução do valor da pecuária à queda dos preços internos que têm-se mostrado acentuada, principalmente para suínos, bovinos e frangos.

O melhor desempenho do VBP ocorreu em soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão. Esses são os mais bem classificados entre os produtos analisados.

Os preços têm sido decisivos para esses resultados. Representam 59,4% do VBP total. A esses, somam-se outros, cujo destaque se deve à elevação do VBP, embora os valores absolutos não sejam tão expressivos. Este conjunto é representado por banana, batata-inglesa, feijão, tomate e trigo, que têm peso relevante no IPCA.

Um grupo pequeno de produtos, formado por arroz, cacau, laranja, uva e soja, teve retração do valor da produção, devido a preços mais baixos. Entretanto, para alguns desses, como soja e arroz, a redução se deve à seca, que atingiu Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como tem sido mostrado em relatórios anteriores, o VBP regional é liderado por cinco estados: Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás, que contribuem com 63,0% do VBP nacional.

Confira as informações detalhadas sobre o VBP.

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(Do Mapa)

A John Deere, referência em inovação no agro, lançou o reality show ‘Safra de Inovações – O desafio das startups do agro’, o primeiro voltado para o agronegócio, com soluções em tecnologia e inovação criadas por startups participantes do hub de inovação AgTech Garage, relata a CNN Brasil. O programa conecta produtores rurais – com desafios reais em suas propriedades – às startups que desenvolvem soluções para aumentar a produtividade.

O Radar Agtech de 2020/2021, publicação da Embrapa, que mapeia o setor, identificou 1.574 startups brasileiras; a comparação é com 2019. 

 

O campo brasileiro foi marcado, na última década, pelo aumento na eficiência, consequência direta da inovação e da tecnologia aplicadas desde a idealização de novos negócios, passando pela fertilização, irrigação e colheita, até a distribuição inteligente dos produtos. Dentro desse mercado, as agtechs – startups especializadas que atuam no setor – ganham espaço trazendo soluções para diversos problemas.

De acordo com o Radar Agtech de 2020/2021, publicação da Embrapa que mapeia as startups do setor, há 1.574 agtechs brasileiras. A comparação foi com o ano de 2019. E, embora o crescimento de 40% seja expressivo, alguns gargalos comuns a outros empresários por aqui dificultam uma evolução ainda mais rápida.

Um deles é o levantamento de capital inicial para o investimento nessas empresas de base tecnológica e o outro é a dependência de fornecedores externos para componentes eletrônicos.

Segundo mais uma pesquisa da Embrapa, 42% desses negócios não receberam nenhum tipo de investimento e optaram por usar recursos próprios ou financiamento bancário para iniciar a startup. Já 25% tiveram recursos provenientes de família ou amigos; 24% a fundo perdido; 9% de aceleradoras; 6% de investidores anjos e 5% de capital de risco.

Já em relação aos fornecedores externos, a pandemia piorou ainda mais a situação porque quebrou a cadeia de suprimentos. Mas, essas adversidades não limitam as cabeças pensantes desse universo.

Potencial para ser o maior do mundo

“O Brasil possui grande potencial de liderança do mercado internacional em tecnologias agrícolas, tanto pela grande área cultivável, quanto pela variedade de culturas onde exerce liderança mundial. Nossa posição de nação, que cuida do meio ambiente e alimenta o mundo, nos torna o cenário ideal para o surgimento de tecnologias que elevem a produtividade de maneira vertical”, afirma o diretor comercial da AGTech – agrotecnologia, Luis Paviani Neto.

A empresa está no mercado há 10 anos atuando, principalmente, no setor sucroenergético, ou seja, produzindo energia limpa e em larga escala com soluções para a agricultura de precisão, desenvolvendo e comercializando produtos e serviços do plantio à colheita.

Algumas das especializações são automação agrícola, coleta e mapeamento de fertilidade de solo, sistema de cobertura de carreta canavieira, drone de pulverização e fertirrigação.

“Nesta década, notamos um intenso aumento de interesse de grandes e médias empresas agrícolas no consumo de tecnologias que reduzam custos operacionais e impactos ambientais, além de possibilitarem o consumo racional de insumos”

explica Paviani

A carteira de clientes da AGTech é, basicamente, de B2B, como usinas do setor sucroenergético e fabricantes de implementos. Apenas 10% são produtores/fornecedores de cana e associações/cooperativas.

Outro exemplo de agtech que tem tido sucesso nacional e internacional é a Solinftec. A empresa brasileira, fundada em 2007, é líder global em Inteligência Artificial e SaaS (software como serviço) para o agronegócio, e conta com 800 colaboradores espalhados por aqui, EUA, Colômbia, Canadá e China.

 

O grupo conta com uma plataforma de Inteligência Artificial para o campo batizada de Alice AI, além do Solix Ag Robotics, o primeiro robô voltado para produção de alimentos em larga escala no agronegócio.

O Solix trabalha em conjunto com a Alice AI, que conta com uma biblioteca agro atualizada por mais de 10 bilhões de informações do campo por dia. A partir desse conjunto de dados a inteligência artificial da Solinftec mostra ao produtor rural quando e como agir, do pré-plantio à pós-colheita, auxiliando na tomada de decisões em logística, gestão, rastreabilidade, agronomia e robótica.

Atualmente, a companhia gere, em tempo real, mais de 11 milhões de hectares, o que representa algo acima de 3,7 trilhões de data points (unidades de informação) coletados todos os anos pela Alice AI.

Agro Trends

As duas empresas estarão no “Agro Trends: tecnologia para impulsionar o campo e a alimentação”, evento realizado pela BioTIC, em parceria com o Metrópoles, que vai mostrar o que há por trás do sucesso de empresas que têm transformado a indústria alimentícia no país.

O evento contará com dois talks e um keynote. No primeiro bate-papo, o tema será: foodtechs. E exemplos de sucesso, como The New, Liv Up e Food to Save, falarão como revolucionaram a forma do brasileiro se alimentar.

Já no segundo talk, as agtechs serão o foco com a participação de porta-vozes da Solinftec e AGTech – agrotecnologia. Duas empresas que estão utilizando tecnologia de ponta para ajudar agricultores a vencerem os desafios no campo.

Para encerrar o evento, Giuliano Bittencourt, CEO da BeGreen Farm, irá compartilhar um pouco de sua história inspiradora e contar como tem conduzido a primeira fazenda urbana e sustentável da América Latina.

Agro Trends ocorre em 1º de julho, das 14h às 18h, no BRB Lab – Parque Tecnológico de Brasília. As vagas são gratuitas, mas limitadas. As inscrições estão disponíveis aqui.

Sensor monitora em tempo real saúde das lavouras de soja e cana

Os sensores vestíveis (wearables) estão cada dia mais presentes na vida de pessoas que usam dispositivos eletrônicos para monitorar a frequência cardíaca durante atividades físicas e a qualidade do sono, entre tantos outros padrões sensíveis para a saúde humana.

Dispositivos semelhantes estão sendo projetados para aprofundar o monitoramento da saúde das plantas, em busca de aplicações úteis para a agricultura de precisão.

Os sensores vestíveis são uma estratégia promissora para determinar a perda de conteúdo de água das folhas, pois podem fornecer quantificação no local e não destrutiva da água no interior das células a partir de uma única medição.

Como o teor de água é um marcador importante da saúde das folhas, o monitoramento em tempo real pode fornecer dados valiosos para orientar o manejo na agricultura de precisão, bem como para estudos de toxicidade e desenvolvimento de novos insumos agrícolas.

Apesar dos avanços tecnológicos nessa área, a fabricação de eletrodos adequados para o monitoramento de plantas carrega desafios. Os materiais precisam ser leves, flexíveis e capazes de aderir à superfície das folhas, recobertas de tricomas, pelos que protegem contra insetos e contribuem para redução da perda de água. Além disso, precisam ser biocompatíveis, ou seja, não podem prejudicar os processos biológicos de desenvolvimento das plantas.

“Os métodos convencionais têm limitações, pois são baseados em sistemas por imagem, satélites e drones. Eles precisam que a planta atacada por uma doença apresente sinais fenotípicos ou indícios visuais para gerar alertas no monitoramento. Em culturas como a da soja, por exemplo, a alteração de coloração pode sinalizar um estágio irreversível de doenças como a ferrugem”, explica Renato Sousa Lima, pesquisador do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), órgão que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), sediado em Campinas.

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Imagem: CNPEM/divulgação

A superação de todos esses desafios a partir de um dispositivo foi descrita no artigo Biocompatible Wearable Electrodes on Leaves toward the On-Site Monitoring of Water Loss from Plants, publicado recentemente no periódico ACS Applied Materials & Interfaces. O texto foi selecionado para integrar um volume especial da revista dedicado a jovens pesquisadores de todo o mundo: Special Issue: Early Career Forum.

O estudo, que usou como amostras plantas de soja e cana-de-açúcar, é resultado de um projeto apoiado pela FAPESP. A investigação mobilizou uma equipe multidisciplinar, que inclui pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal do ABC (UFABC) e Harvard (Estados Unidos), além de especialistas e recursos do LNNano, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) e da estação de pesquisa Carnaúba do Sirius, sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) – esses dois últimos laboratórios também integram o complexo do CNPEM. O projeto contou ainda com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Como funciona

O dispositivo desenvolvido em Campinas usa um eletrodo obtido por litografia. Uma peça única recoberta por um filme fino de níquel fixado com a ajuda de um adesivo do tipo micropore. Por esse eletrodo é aplicado um campo elétrico gerado por um capacitor.

A polarização dos íons de nutrientes presentes na água revela com muita sensibilidade mínimas variações de impedância, ou resistência elétrica, que têm relação com os níveis de hidratação da planta.

“Se tem mais água, tem mais íons, você carrega mais o sistema, então a impedância diminui. Se tem menos água, menos íons, você carrega menos o sistema e a impedância aumenta”, explica Lima.

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imagem: CNPEM/divulgação

Ferramentas de aprendizado de máquina – uma técnica de inteligência artificial – ajudaram a selecionar, dentro de um amplo espectro de frequências, a mais adequada para as referências de monitoramento. Também foram usadas para determinar, entre temperaturas de 30 e 20 °C, os parâmetros precisos de quantificação de perda de água nas folhas em diferentes condições de microclima.

A aquisição de dados coletados pelos dispositivos é feita por bluetooth, com a ajuda de um smartphone, o que permite automatização de leituras e monitoramento remoto pela internet.

Inovação patenteada

As principais vantagens do dispositivo desenvolvido no CNPEM são portabilidade, autonomia de bateria (dez dias), sensibilidade, biocompatibilidade e segurança na aquisição de dados, que permitem automatizações essenciais para o monitoramento remoto. Como não existem sensores similares no mercado, o depósito de patente já está em andamento.

Os métodos de fabricação do dispositivo são bem conhecidos e já estão disponíveis mesmo em indústrias de pequeno porte, o que cria condições de escalabilidade da produção e potencial redução do preço final caso alguma empresa se interesse pela tecnologia e decida transformá-la em produto.

Sirius

No estudo, técnicas que fazem uso de radiação síncrotron foram empregadas para avaliar em profundidade as condições de biocompatibilidade dos sensores nas folhas.

Na estação de pesquisa Carnaúba, do Sirius – o acelerador de elétrons de última geração instalado no CNPEM –, medidas de espectrometria atestaram a não interferência do dispositivo no metabolismo das folhas de soja e de cana-de-açúcar.

Técnicas convencionais não permitiriam medir as concentrações de nutrientes com a sensibilidade e precisão necessárias para garantir a biocompatibilidade.

“Em folhas saudáveis, os íons de zinco, manganês, cálcio e ferro, que são nutrientes fundamentais tanto para a parte estrutural quanto para o transporte, obedecem a uma estrutura morfológica semelhante à dos capilares, xilemas e floemas. Quando a folha é afetada, as células se rompem e não existe mais nenhum padrão”, explica Lima.

Próximos passos

No atual estágio de desenvolvimento, o dispositivo se mostra bastante eficiente para uso em ambientes controlados, mas também é muito promissor para monitoramento em ambientes externos. Parcerias com a indústria podem trazer diferentes demandas de aperfeiçoamento.

“O dispositivo demonstrou alta sensibilidade para a avaliação da eficiência do uso de algumas técnicas de manejo ou impacto do uso de insumos, bem como para potencialmente monitorar as condições de produtividade das lavouras. Acreditamos que, com pequenas adaptações, poderia contribuir também como recurso adicional no monitoramento das condições toxicológicas do campo”, avalia Julia Adorno Barbosa, doutoranda do LNNano.

O estudo Biocompatible Wearable Electrodes on Leaves toward the On-Site Monitoring of Water Loss from Plants pode ser acessado em: https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsami.2c02943.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPEM.

O aporte de R$ 868,5 milhões é importante conquista para garantir a retomada do Plano Safra 2021/22 e o contratação de empréstimos com juros subvencionados, afirma Presidente da Federação

 

O PLN 1/22, que liberou R$ 868,5 milhões em crédito suplementar para recompor o Plano Safra 2021/22, parado desde fevereiro por falta de recursos, é de extrema importância para a retomada dos empréstimos das linhas oficiais de crédito com juros subvencionados, no âmbito do Pronaf e demais programas.

Neste momento, em que os custos estão em alta e os produtores estão tendo que desembolsar mais para financiar a mesma área em relação ao ano passado, o acesso aos recursos do crédito rural oficial, que tem um custo financeiro menor, é muito mais vantajoso para os produtores e, por isso, enfatizamos que essa retomada das contratações das linhas equalizadas do crédito rural é um sinal positivo para a agropecuária. A avaliação é do Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Sistema FAESP/SENAR-SP).

O gerente do Departamento Econômico da FAESP, Cláudio Brisolara, explica que o governo federal, já no final de janeiro, teve que suspender as operações de crédito do atual Plano Safra, pois todo o recurso disponível para subvencionar os juros, ou seja, pagar a diferença entre as taxas do banco e os juros pagos efetivamente pelos produtores, se exauriu rapidamente. “Os custos de produção aumentaram e com os produtores precisando gastar mais para custear a mesma área da lavoura, acabaram consumindo mais recursos do Plano Safra, que acabaram antes do previsto. A elevação muito forte da SELIC e da inflação também impactaram no custo da equalização, demandando necessidade da suplementação de recursos”.

Brisolara salientou que, enquanto no crédito rural oficial as taxas de juros ficam entre 3,5% e 4,5% no Pronaf, em torno de 5,5% no Pronamp e de 7,5% para os grandes produtores, no mercado financeiro, sem a subvenção, os bancos operam empréstimos com juros na faixa de 16% a 20%. 

“O projeto trata de R$ 868,5 milhões, e com essa aprovação, serão destravados empréstimos entre R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões. Ainda temos mais dois meses de Plano Safra 2021/2022 e, portanto, a medida é fundamental para fortalecer nossa política agrícola e que os produtores tenham acesso a esses recursos para continuarem plantando, o que esperamos se concretize com a sanção presidencial ao texto aprovado do PLN 1/22”, ressaltou o Presidente da FAESP.

Fonte: Ricardo Viveiros & Associados (RV&A)

As exportações de máquinas agrícolas cresceram 5,2% em março comparativamente a fevereiro, informou nesta quarta-feira, 27, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). De janeiro a março, segundo a associação, as exportações de máquinas agrícolas acumulam um crescimento de 29,5%.

 

No front das importações, a Abimaq relata queda de 3,9% no mês de março ante fevereiro e um aumento de 29,5% no acumulado de janeiro a março.

A Abimaq manteve a previsão de crescimento de 6% do faturamento este ano puxado pela agricultura e apreciação do câmbio, disse o presidente da entidade, José Velloso.

Ele afirmou que a previsão de 6%, feita entre outubro e novembro de 2021 está sendo mantida mesmo com o aumento da inflação e do efeito do elevação de juros pelo Banco Central (BC) porque o aumento da Selic passará fazer efeito sobre os preços, derrubando a inflação.

Além disso, de acordo com Velloso, começam a ser retomados agora os investimentos em bens de capitais depois da desaceleração nos últimos dois anos em função da crise da covid-19.

“O crescimento será puxado pela agricultura por conta dos preços das commodities e da valorização do real frente ao dólar”, disse o presidente da Abimaq destacando, por exemplo, o aumento de 8,9% da produção de máquinas agrícolas no primeiro trimestre.

O presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, previu que a indústria de máquinas agrícolas deve crescer este ano entre 5% e 9%.

De acordo com Estevão, o produtor rural está bem capitalizado por conta do aumento dos preços das commodities e está fazendo investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas.

“Esperamos crescer de 5% a 9% este ano por conta das perspectivas de aumento da área plantada no Centro-oeste. Se a área de plantio está crescendo vai precisar mais máquinas agrícolas”, disse ele.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO

O agronegócio é hoje a locomotiva do Brasil. Segundo o portal Governo do Brasil, a agricultura familiar no país movimenta cerca de 55,2 bilhões de dólares por ano. São cerca de 10,1 milhões de empregos em 3,9 milhões de empreendimentos do ramo agrícola gerados, de acordo com o portal.

Informações do Portal Brasil mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu em 2020. A soma das riquezas vindas do campo ficou 24,31% maior em relação ao ano anterior. E, assim, chegou-se ao montante de R$ 7,45 trilhões, ou 26,6% do PIB nacional.

Apesar de um número expressivo de movimentações e geração de empregos, apenas 19% das pessoas ou empresas ligadas ao agronegócio possuem acesso facilitado a linhas de crédito para alavancagem de seus negócios, sendo que a parte burocrática e incapacidade de previsibilidade são fatores que implicam na não liberação, de acordo artigo publicado no portal do BNDES.

De acordo com João Fossaluzza, Vice-Presidente da Atto EXP Empresarial , empresa especializada em crédito rural, “os adquirentes de crédito no setor são pequenos, médios e grandes produtores, bem como cooperativas e indústrias”, afirma João.

Para Samara Fossaluzza, CEO da Atto EXP Empresarial , apesar do aumento de crédito disponível para o agronegócio no Brasil, no setor, principalmente o pequeno e médio, ainda caminham em busca de profissionalizar sua gestão. “Grande parte dos empreendedores do setor agrícola ainda não tem uma gestão profissionalizada, ainda buscam organizar dados, previsibilidade, comprovações de terras e capacidade de pagamento, o que na maioria das vezes dificulta a aquisição de crédito”, completa.

Para Samara Fossaluzza o caminho mais fácil para a aquisição de crédito, seja para expansão de produção, aquisição de equipamentos, aumento de estrutura entre outros, são as empresas especializadas no setor. “O agricultor deve buscar uma empresa com experiência em crédito rural, que tenha conhecimento em aproximar os agricultores do mercado financeiro, proporcionando acesso a linhas de crédito que geram produção e desenvolvimento econômico ao setor”, afirma.

Para Alei Fernandes, CEO do Grupo Irrigar – Revenda Valley , o processo de aquisição de crédito por meio de empresas especializadas no setor tem como maior benefício o crédito estruturado, gerando desenvolvimento econômico. “A facilidade e simplificação do processo de captação de recurso quando utilizado serviços de empresas deste segmento são os grandes diferenciais, empresas deste tipo sabem buscar acesso a linhas de créditos que muitas vezes não estão expostas no mercado de forma simples”, completa Alei Fernandes.

Juntamente com o crescimento dos números do setor de agronegócio, está o crescimento do setor financeiro no Brasil, também puxado por empréstimos.

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil, foi calculado um aumento de 9,9% nos empréstimos bancários em 2020. No referente aos bancos privados, no período de doze meses, observou-se uma trajetória de crescimento superior a 15,4% no final do ano.

Empresas de realização de operações estruturadas para o agronegócio, que trazem para o mercado soluções exclusivas de crédito para alavancagem e otimização de produção, aquisição de área rural, construção de silos e armazéns, projetos de irrigação e cultivo protegido, aquisição de tratores, colheitadeiras e implementos, também tiveram grande crescimento devido à alta procura por serviços de facilidade ao crédito, de acordo com João Fossaluzza. 

Fonte: Conexão Mída360

O mercado de biocombustíveis brasileiro produziu em 2020 o volume de 34 bilhões de litros de etanol, processando 660 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que nos torna o maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar. Vem ganhando força uma nova possibilidade de produção para o Brasil, o etanol de milho, matéria-prima usada nos Estados Unidos, o maior produtor mundial de etanol. A extração deste biocombustível tem ganhado espaço, mudando o panorama de muitas regiões produtoras de grãos, com aumento de 84% no ano passado, resultando na produção de 2,4 bilhões de litros.

A busca por energias renováveis e limpas vem aumentando devido a preocupação mundial com o desenvolvimento sustentável visando o combate do aquecimento global. Nesta busca, os biocombustíveis, obtidos através de biomassa renovável (cana, milho, sorgo, soja) surgem como uma alternativa mais sustentável aos combustíveis fósseis, derivados de petróleo e gás natural. Combustíveis renováveis possuem baixa taxa de emissão de poluentes.

Estamos entre os três maiores países em utilização de combustíveis renováveis, como o biodiesel e etanol, sendo 90% da produção de biocombustíveis brasileira certificada, dentro das normas do programa de Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, 20% do consumo do setor de transporte é de combustíveis renováveis e o Brasil tem caminhado para ampliar esse consumo.

O mercado de etanol tem excelentes perspectivas para o futuro. Visando a diminuição das emissões, o Brasil adotou a mistura de 25 a 27% de etanol na gasolina, enquanto nos EUA o volume é de 10%, a China segue no mesmo caminho e a partir de 2022 deve implementar a mesma adoção, enquanto a Índia adotará carros flex, além de adicionar também 10% de etanol à gasolina até 2025.

O consumo de etanol é liderado por Estados Unidos e Brasil, que são responsáveis pela utilização de 70% do combustível produzido globalmente e continuarão no mesmo patamar de participação, de acordo com as projeções da OECD/FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) para 2029. Além destes, China e União Europeia também se destacam pela demanda crescente de etanol. O Brasil deve chegar a uma produção de 50 bilhões de litros em 2030.

Entre todos os combustíveis renováveis, a cadeia de etanol de milho vem crescendo de forma vertiginosa em regiões com grande produção de grãos como o estado do Mato Grosso. A produção de etanol de milho cresceu 7.000% naquele estado, que concentra 12 das 19 usinas deste biocombustível no país.

Apesar de ainda estar longe dos Estados Unidos em produção e produtividade, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, respondendo por 9% da produção mundial e o segundo exportador (22% das exportações). A região centro-oeste responde por 40% da produção brasileira. As mais de 100 milhões de toneladas que os brasileiros colhem são cruciais para movimentar a cadeia de proteínas animais e agora também para a produção de etanol de milho.

A principal vantagem em se investir na produção de etanol de milho no Brasil advém do fato de que há grande oferta e demanda do cereal, especialmente no centro-oeste, onde o consumo interno é pequeno e as exportações representam quase 70% da produção. Esses estados têm grande produção e estão distantes dos portos para exportação, desta maneira, produzir etanol agrega valor ao produto e favorece outras cadeias como a pecuária de corte, devido ao uso de subprodutos do processo na nutrição animal.

Existem alguns modelos de usinas de etanol de milho: a usina full, que processa exclusivamente milho para produção de etanol; a usina flex, que são usinas de cana-de-açúcar adequadas para produzir etanol de milho no período da entressafra da cana; e o modelo flex full, que são usinas de cana e milho operando paralelamente, com a vantagem da utilização do bagaço da cana como biomassa.

Durante a produção de etanol, o milho é moído e em seguida passa por um processo de fermentação alcoólica, seguido de destilação. A vantagem deste biocombustível, além da baixa emissão, é o modelo de economia circular e estímulo à produção de outras cadeias. O milho é muito rico em amido e proteína e, enquanto o amido é utilizado para produção de álcool, a proteína não é extraída, portanto, no processo de produção de etanol resultam dois coprodutos, o DDGS, que é um concentrado proteico, que tem se mostrado uma excelente alternativa para a alimentação animal e o óleo vegetal. A geração do DDGs favorece a pecuária de corte, que fornece esterco utilizado como fertilizante na lavoura, desta maneira fazendo uma economia circular.

A produção de etanol de milho vem crescendo de maneira rápida, porém vem lastreada na sustentabilidade. O milho de segunda safra mantém a cobertura vegetal do solo, a produção de etanol favorece o modelo de economia circular, estimula o consumo de etanol, gera empregos, agrega valor e melhor distribuição de renda dentro de toda a cadeia de produção.

Município deve gerar cerca de 400 milhões de litros de biocombustível ao ano

Com a Licença de Operação concedida no último dia 30 de março, entra em operação na próxima semana a primeira indústria de etanol de milho de Mato Grosso do Sul, gerando cerca de 600 vagas de emprego em Dourados.  

Biocombustível de alto rendimento, enquanto uma tonelada de cana produz entre 70 a 85 litros de etanol hidratado, o mesmo peso em milho pode produzir  entre 370 a 460 litros deste mesmo álcool, dependendo do teor de amido.  

Dados da Inpasa Agroindustrial apontam que, nessa primeira fase haverá uma produção de aproximadamente 400 milhões de litros de etanol ano, projeção essa que deve dobrar já a partir de julho, na segunda fase do projeto.  

“A planta de Dourados vem para contribuir e transformar o Mato Grosso do Sul, em especial a cidade de Dourados, em um grande polo de biocombustíveis e de bioeletricidade”, afirma o vice-presidente da Inpasa Brasil, Rafael Ranzolin. 

Vale ressaltar que, além desse complexo, os investimentos da Inpasa em Dourados compreendem uma usina termoelétrica para cogeração de 26,18 MW, posto de combustíveis e polo de serviços.

Conforme a empresa, cerca de 3000 mil trabalhadores diretos e 6000 indiretos participaram da construção, contemplando mais de 90 empresas parcerias na execução de serviços. Outros 400 profissionais diretos já estão empregados e, de maneira indireta, envolvendo diversas cadeias produtivas e o ramo de suprimentos que abastece a indústria, abarca mais de 8 mil famílias.

Moradores de Mato Grosso do Sul que quiserem garantir uma vaga de emprego na usina de etanol Inpasa, devem enviar currículo informando o nome do cargo desejado logo no campo "assunto" do 'e-mail', encaminhado para curriculos@inpasa.com.br.

Para pesquisadores, ameaças à oferta de adubos químicos por causa da guerra na Ucrânia é uma oportunidade para expansão de técnicas que dispensam uso dos produtos e são praticadas em vários pontos do Brasil, relata reportagem da BBC News, publicada no G1. No livro “A Arte de Guardar o Sol – Padrões da Natureza na reconexão entre florestas, cultivos e gentes” (ed. Bambual), lançado em 2021, o engenheiro agrônomo Walter Steenbock, doutor em recursos genéticos vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lista várias dessas práticas. Técnicas como o faxinal, sistema presente no Paraná em que animais (principalmente porcos) são criados em meio à floresta de araucárias, alimentando-se do pinhão e de outros frutos nativos é um dos exemplos.

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