AEAARP Mulher: Mulheres e o mercado de trabalho

04/abr/2022
Tempo de leitura: 3 min..

Como a construção social impacta diretamente a realidade profissional
 

No Brasil, 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais integravam a força de trabalho em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da participação expressiva no mercado, elas não galgaram aos altos cargos de liderança e ainda recebem menos que os homens desempenhando as mesmas funções, mesmo que tenham mais experiência e estudos.

O ingresso das mulheres no mercado de trabalho é recente, tendo se intensificado no período pós-Segunda Guerra Mundial, em 1945. De lá para cá, muitas mudanças ocorreram, mas ainda há uma série de desafios a serem enfrentados por elas na busca pela equidade de gênero no âmbito profissional. Esse cenário se deve às atribuições dos papeis sociais, que relacionam às mulheres a responsabilidade por toda a carga do trabalho doméstico.

Quem explica as construções sociais dos papeis de gênero ao longo da história é a Prof. Dra. Rossana Filetti na palestra “Diversidade em gênero”, ministrada durante o I Encontro do Programa Mulher do Crea-SP em dezembro de 2021. “O homem era o mantenedor, devia sustentar as famílias. E as mulheres que trabalhavam fora de casa eram solteiras”, destaca.

A realidade descrita pela professora é evidenciada nos dados da pesquisa do IBGE, que apurou o impacto dos afazeres domésticos na rotina dos trabalhadores. Constatou-se que as mulheres dedicam aos cuidados da casa e de pessoas quase o dobro de tempo que os homens. A tripla jornada é um obstáculo conhecido pelas mulheres em suas trajetórias profissionais.

A desigualdade também se verifica na diferença entre os salários e rendimentos. Em 2019, as mulheres receberam, em média, 77,7% do montante dos homens. Em cargos e funções com ganhos maiores, o número chega a 61,9% do rendimento dos homens. Com profissionais da ciência e intelectuais, o mesmo se repetiu: elas ganharam 63,6% do valor recebido por eles.

A professora acrescenta que as mulheres são consideradas um grupo minoritário por conta desses dados. “Somos mais de 50% da força de trabalho e em muitas empresas, demograficamente, fazemos parte de mais de 50% dos quadros. Mas a equiparação salarial e um fenômeno chamado de glass ceiling (teto de vidro) são duas questões que fazem com que sejamos consideradas minoria.”

Afinal, por que as mulheres não chegam aos níveis de liderança na mesma proporção que os homens? Para responder a essa pergunta, Filetti cita estudo da Revista Fortune, de fevereiro de 2020, que apontava que apenas 7,6% das mulheres ocupavam cargos de liderança executiva. É disso que se trata o “teto de vidro”. O fenômeno faz referência às dificuldades enfrentadas pelas mulheres para crescer na carreira e ascender às posições de liderança.

Filetti questiona como as mulheres conseguirão combinar maternidade com crescimento profissional se são responsáveis pelos afazeres domésticos, por exemplo. “Empoderamento é ter autonomia para tomada de decisão, sem a culpa. Sem tentar carregar com você a construção social programada. Temos que nos desprender do que é o comportamento certo porque não tem regra, não tem receita de bolo. Ou nos desprendemos disso ou ficaremos no 7,6%”, pondera.

Incentivar a inclusão das mulheres nos ambientes de trabalho e negócios é fundamental para corrigir essas distorções sociais. A professora menciona o Programa Mulher do Crea-SP como uma boa referência em ações de equidade. “Estamos aqui plantando uma semente de reflexão sobre o que é construído socialmente, qual a direção da nossa carreira e como funciona o mundo hoje”, finaliza.

Assista o conteúdo na íntegra aqui: https://www.youtube.com/watch?v=zim-40fKJKo

Saiba mais sobre o Programa Mulher: http://bibliotheke.creasp.org.br:8080/biblioteca/livros_e_publicacoes/cartilha-programa-mulher/

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