O Brasil tem mais de 1,3 milhões de engenheiros, segundo estatísticas do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Mais da metade está registrada na região Sudeste do país. Em Ribeirão Preto, segundo o escritório local do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), são 5.650 profissionais ativos e o ano deve acabar com cerca de 15 mil Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) emitidas.
“A engenharia, em todas as suas modalidades, é o setor que mais sofre com as crises econômicas, por demandar grandes investimentos, mas também é onde a recuperação se alicerça, por ser capaz de gerar riquezas, postos de trabalho e oportunidades”, avalia o engenheiro Carlos Alencastre, presidente da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP).
Trata-se de uma profissão ainda dominada por homens – em todo o país, 1.186.863 são do sexo masculino e 194.975 são do feminino. O número de novos registros profissionais no conselho saltou de 21.510 no início deste milênio para 92.787 até este momento em 2017. Em 2013, foi observada a maior alta de registros desde sua adoção, nos anos de 1930 – foram mais de 100 mil em um ano, de acordo com o CONFEA.
Alencastre avalia que o aquecimento econômico do início dos anos 2000 incentivou a escolha da engenharia como carreira, por isso a alta nos registros profissionais nesses anos em relação às décadas anteriores. “Já houve falta de profissionais no mercado. Aqueles que migraram para outras carreiras, como a administração, voltaram a assumir postos na engenharia porque havia grande demanda”, diz.
A expectativa do presidente da AEAARP é a de que a economia retome a estabilidade nos próximos anos, voltando a criar oportunidades para os milhares de jovens que escolheram a engenharia. Uma das ferramentas para superar esses períodos, ressalta, é a organização em associações de classe. “A AEAARP, por exemplo, realiza semanas técnicas, palestras e eventos sociais que têm por objetivo proporcionar a formação continuada necessária à profissão e o networking essencial à sobrevivência no mercado”, explica.
Para a sociedade, alerta Alencastre, a atividade da engenharia, notadamente naquela que é mais comum, a civil, é primordial para garantir a segurança e o bem-estar coletivos. “Nosso desafio é sempre esclarecer que a responsabilidade técnica, o projeto, de uma simples reforma ou de uma obra grandiosa, são questões que só um engenheiro pode solucionar. É o que garante a segurança no uso de materiais e equipamentos, por exemplo”, fala. É esta, em sua visão, a grande reflexão que a sociedade deve fazer no Dia do Engenheiro, comemorado em 11 de dezembro.
